Policial Civil é denunciado por morte de morador de rua em BH

Reconstituição do crime tenta esclarecer se policial civil agiu em legítima defesa ao matar morador de rua em Belo Horizonte
A morte de um homem em situação de rua, de 60 anos, baleado por um policial civil do Rio de Janeiro em Belo Horizonte, no dia 22 de fevereiro de 2025, foi reconstituída pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) na última quarta-feira (8/7). A reprodução simulada contou com a presença do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e deve ajudar a esclarecer a dinâmica do crime ocorrido no bairro Itapoã, na região da Pampulha. O policial civil, de 27 anos, foi denunciado pelo MPMG por homicídio. Para a Promotoria de Justiça, o crime foi cometido por motivo fútil, já que o agente teria atirado após se sentir importunado pela vítima.
O réu, por sua vez, sustenta que agiu em legítima defesa. Segundo o MPMG, a reconstituição foi realizada após um laudo do Instituto de Criminalística concluir que as imagens de uma câmera de segurança próxima ao local não foram suficientes para esclarecer toda a dinâmica dos fatos, em razão da baixa luminosidade. Durante os trabalhos, a Polícia Civil utilizou um equipamento de escaneamento tridimensional da cena do crime. O novo laudo deverá apontar o posicionamento exato da vítima e do policial civil, a trajetória dos projéteis, a sequência dos disparos e se a versão apresentada pelo acusado é compatível com as evidências periciais.
De acordo com o promotor de Justiça Luciano Sotero Santiago, o objetivo da reconstituição é eliminar as dúvidas que permaneceram após as primeiras perícias. "O objetivo foi sanar essas dúvidas. A Polícia Civil utilizou um novo instrumento de perícia que escaneou todo o local da cena dos fatos para chegarmos à conclusão do que realmente aconteceu", afirmou. Além das imagens de segurança, o laudo de necropsia apontou que a vítima foi atingida por cinco disparos.
O crime aconteceu na noite de 22 de fevereiro de 2025, quando o policial civil, que mora e trabalha no Rio de Janeiro, passava férias em Belo Horizonte. Conforme o boletim de ocorrência da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), o agente relatou que havia saído de um restaurante acompanhado de familiares quando foi abordado pela vítima. Segundo o depoimento do policial civil, o homem teria começado a dizer palavras que ele não conseguiu compreender e, em seguida, feito ameaças de morte. O agente afirmou ainda que pediu para que a vítima se afastasse, mas que ela teria colocado a mão por baixo da camisa, simulando estar armada.
Diante da situação, o policial disse que sacou a arma e efetuou um disparo. Após o tiro, ele acionou a Polícia Militar e entregou a arma utilizada. Entretanto, a versão apresentada pelo agente é contestada pelo Ministério Público. Na denúncia, o órgão afirma que a vítima estava embriagada e apenas caminhava na mesma direção do policial civil enquanto dizia algumas palavras. Para a Promotoria, o acusado sacou a arma e efetuou diversos disparos sem que houvesse uma ameaça real. A necropsia constatou que o homem foi atingido por cinco tiros e morreu no local. Ainda conforme o boletim de ocorrência, a vítima portava uma machadinha e uma garrafa com um líquido não identificado. Moradores da região afirmaram aos policiais que o homem era conhecido no bairro, vivia em situação de rua e nunca havia causado problemas na vizinhança. Com a reprodução simulada, a expectativa é de que a nova perícia esclareça definitivamente as circunstâncias do homicídio, informação considerada fundamental para o andamento da ação penal contra o policial civil.