Escola no Rio é alvo de investigação por lista sexual com 65 alunas

Apps de bancos enfrentam instabilidade | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
A DCAV ouve representantes de escola particular após lista online classificar 65 alunas de forma sexual e depreciativa
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a criação de uma lista sexual online envolvendo alunos de uma escola particular na Zona Oeste da cidade.
Nesta quarta-feira (8), a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) iniciou a oitiva de representantes da instituição de ensino. A lista reúne cerca de 65 nomes de estudantes, classificadas de forma sexual e depreciativa, sendo que algumas vítimas têm entre 14 e 15 anos.
A delegada responsável pelo caso concentra esforços para centralizar a investigação e reunir o maior número possível de provas. Novas vítimas e testemunhas já têm depoimentos agendados, enquanto as autoridades seguem apurando os fatos.
A lista anônima foi criada em uma plataforma online no formato "tier list", um modelo que divide temas em categorias pré-estabelecidas. As estudantes foram distribuídas nas seguintes categorias: "GOAT" (sigla em inglês para "melhor de todos os tempos"), "Comeria no lucro", "Bêbado vai", "Me arrependi depois" e "Nem olharia".
De acordo com a Polícia Civil, os autores podem responder, inicialmente, pelos crimes de injúria, difamação e de submissão de adolescente ao constrangimento ou vexame, este último previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Com o avanço das investigações e com base nos depoimentos colhidos, outros crimes podem ser identificados contra os responsáveis pela criação e divulgação dos nomes das vítimas.
O Colégio Cruzeiro, instituição onde o caso teria ocorrido, emitiu nota oficial sobre o assunto. "O Colégio Cruzeiro, sintonizado com as questões da sociedade contemporânea, reprova e repudia quaisquer atitudes que exponham estudantes. Registramos um boletim de ocorrência, fizemos uma denúncia à plataforma de veiculação exigindo a retirada do conteúdo (já retirado do ar), alertamos os responsáveis e estamos dando apoio às alunas e suas famílias", declarou a instituição.
O caso segue em andamento, com a Polícia Civil buscando identificar todos os envolvidos na criação e na divulgação da lista, além de apurar possíveis novos crimes que possam ser enquadrados conforme os depoimentos avançam.