Petrobras monitora alta do petróleo e defasagem nos preços

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Com o Brent a US$ 91 por barril, a Petrobras avalia reajustes enquanto o governo mantém subsídios à gasolina, ao diesel e ao gás de cozinha
A escalada do conflito no Oriente Médio ampliou as ameaças à navegação no Estreito de Hormuz e fez o preço do petróleo disparar novamente. O cenário elevou a defasagem dos preços dos combustíveis cobrados pela Petrobras no mercado brasileiro em relação à cotação internacional, com reflexos diretos nos prazos de validade das subvenções do governo para evitar que os reajustes cheguem aos consumidores. Após recuar ao menor patamar desde o início do conflito no Oriente Médio, a cotação do Brent, referência internacional para o petróleo, subiu cerca de 25% e atingiu US$ 91 por barril. A valorização tem relação direta com a sequência de ataques dos EUA contra o Irã, que rompeu o acordo de cessar-fogo e ameaça o tráfego de petróleo pelo Golfo Pérsico, região por onde transita um quinto da produção mundial do combustível.
Com a alta do petróleo, os preços dos combustíveis cobrados pela Petrobras estão, respectivamente, 52% (R$ 1,34) e 67% (R$ 2,18) abaixo da paridade internacional, segundo a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). Diante desse cenário, a Petrobras afirma que monitora diariamente os fundamentos do mercado internacional e seus possíveis desdobramentos para manter os preços competitivos, sem repassar a volatilidade externa para o ambiente nacional. A estatal também considera as subvenções antes de tomar qualquer decisão. "Esse mecanismo [de subsídios] também é considerado nas análises realizadas pela companhia", diz a Petrobras, em nota. Mesmo sem elevar os preços às distribuidoras, a petroleira se beneficia por destinar 70% da sua produção às próprias refinarias, conforme aponta relatório do banco BTG Pactual. "A Petrobras olha sempre para horizontes mais longos e considera médias móveis de preços, não picos imediatos. Por isso, há espaço para avaliação", afirma Reginaldo Nogueira, diretor do Ibmec.
Após a disparada do petróleo, o governo anunciou subsídios de R$ 1,12 por litro de diesel e de R$ 0,44 por litro de gasolina. Os decretos justificaram aumentos de magnitude semelhante nos combustíveis nos polos da Petrobras. No caso do diesel, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) prorrogou por 60 dias a validade da concessão do benefício a produtores e importadores, após o governo ter retirado uma parcela da subvenção em razão da redução no preço do petróleo com o cessar-fogo no Oriente Médio. Já em relação à gasolina, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, em entrevista à Rádio Gaúcha, que a manutenção do subsídio exige "cautela" diante do aumento do preço do petróleo e do ambiente de constante incerteza. "A medida está sob permanente avaliação", afirma o Ministério da Fazenda.
Durigan foi ainda mais direto ao declarar: "Nossa intenção é encerrar a subvenção assim que o preço do petróleo recuar. Esse é um compromisso nosso." O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também defendeu a manutenção dos subsídios na semana passada, após reuniões com os ministros do Planejamento, Bruno Moretti, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Segundo ele, o governo aguarda a estabilização dos preços antes de agir. A perspectiva inicial era eliminar o subsídio no início de julho. Além da gasolina e do diesel, os benefícios prorrogados também zeram as alíquotas de PIS e Cofins até o próximo dia 31 de julho sobre o GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) e o QAV (Querosene de Aviação). As economias estimadas com a medida são de R$ 0,11 por botijão de gás de cozinha e R$ 0,07 por litro do combustível de aviação.
Nogueira avalia que o cenário político e econômico ainda não permite ao governo retirar os subsídios. "Quando a gente junta a instabilidade internacional, a pressão política e a inflação brasileira, o governo não tem ainda o ambiente político para a retirada dessas subvenções todas", afirma o diretor do Ibmec. Ele explica ainda que as subvenções contribuem para desestimular a inflação e evitar a interrupção do ciclo de quedas da taxa básica de juros, atualmente em 14,25% ao ano. "Quando você une a cadeia inteira de transporte, ela representa um quinto da cesta de consumo do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), e o BC (Banco Central) está preocupado com isso", analisa. O ministro Durigan reforçou que nenhuma medida adotada pelo governo em resposta à guerra será "a perder de vista" e garantiu o compromisso com as contas públicas. "Nós temos que garantir neutralidade fiscal para cumprir o orçamento que está aprovado pelo Congresso", disse, em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura. O avanço do petróleo no mercado internacional mantém a Petrobras em compasso de espera, enquanto o governo equilibra a pressão inflacionária, os compromissos fiscais e a instabilidade geopolítica para definir o futuro das subvenções aos combustíveis.