Pentágono divide dados de baixas na guerra e dificulta acesso

Pentágono, a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos - Foto: Daniel Slim
O Pentágono separou os registros de mortos e feridos em páginas distintas, dificultando o acesso ao total real de baixas na guerra contra o Irã.
Em 27 de julho de 2026, o Pentágono modificou a forma de apresentar as baixas da guerra contra o Irã. Os registros posteriores a 7 de julho deixaram de aparecer na mesma página que reunia os números acumulados desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. A mudança gerou críticas de que o Departamento de Defesa estaria dificultando o acesso público ao total real de militares mortos e feridos.
A alteração ocorreu em meio a acusações de que o Pentágono havia minimizado o número de baixas. O contexto também incluía uma pausa nos ataques americanos e questionamentos sobre a divulgação dos impactos de ofensivas iranianas contra bases com tropas dos Estados Unidos. Os dados da guerra estavam concentrados na página da Operação Epic Fury, nome utilizado pelo Departamento de Defesa para o conflito contra o Irã. Com a mudança, os casos registrados depois de 7 de julho passaram a integrar uma seção separada, chamada "baixas em operações no exterior". A divisão obriga o público a consultar páginas distintas e somar os números para chegar ao total de mortos e feridos.
A nova categoria incluiu quatro militares mortos no último fim de semana, cujos registros haviam desaparecido da contagem principal. Essas mortes voltaram ao Sistema de Análise de Baixas da Defesa com a observação "Baixas em operações no exterior a partir de 7 de julho de 2026". O site, porém, não apresentou uma explicação detalhada para a separação. A atualização também elevou o número de militares americanos feridos desde 7 de julho. O Pentágono informava anteriormente que menos de 100 soldados haviam sido atingidos durante esse período. O novo levantamento passou a registrar 207 feridos, elevando para 624 o total desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. O número oficial de militares mortos chegou novamente a 18.
O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, havia declarado na semana anterior que o número de feridos posteriores a 7 de julho permanecia abaixo de 100. Naquele momento, o governo também não havia detalhado os efeitos de vários ataques iranianos contra bases com tropas americanas. Parnell rejeitou as críticas e classificou as acusações de ocultação como "fabricações destinadas a aumentar ainda mais a angústia do povo americano". A declaração foi feita após a morte de três militares em combate. O The New York Times revelou que o Pentágono havia reduzido o número oficial de mortos de 18 para 14.
A mudança provocou reação entre parlamentares, veteranos e familiares de militares. Autoridades ouvidas pelo jornal afirmaram que quatro soldados mortos na Jordânia e no Iraque foram retirados da contagem. As mortes ocorreram depois do cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã em abril. O secretário de imprensa interino do Pentágono, Joel Valdez, atribuiu a alteração a falhas temporárias no sistema oficial. Ele afirmou que o problema seria corrigido rapidamente, mas a página da Operação Epic Fury ainda apresentava 14 mortes até a manhã de sábado. Um porta-voz do Pentágono direcionou posteriormente as perguntas sobre os números para a Casa Branca, que não respondeu imediatamente aos pedidos de esclarecimento.
Senadores democratas enviaram uma carta ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, na quinta-feira. O grupo solicitou uma prestação de contas completa sobre o número de militares mortos e feridos. Os parlamentares afirmaram que o público, o Congresso e as famílias dos soldados têm direito a informações transparentes sobre o custo humano da guerra, e que o Departamento de Defesa não apresentou dados completos e dentro do prazo necessário. Outros três ataques iranianos já haviam deixado dezenas de militares feridos antes das ofensivas que mataram três soldados na Jordânia, e esses registros também não foram divulgados imediatamente. Donald Trump sustenta que a atual escalada representa um novo conflito contra o Irã.
Segundo o presidente, a guerra iniciada em fevereiro terminou com o cessar-fogo firmado em abril, e em 10 de julho de 2026 ele comunicou ao Congresso que as hostilidades haviam sido retomadas. O governo argumenta que essa nova fase reinicia a classificação oficial de mortos e feridos. A Câmara dos Representantes aprovou uma resolução baseada na Lei dos Poderes de Guerra de 1973, exigindo que Trump encerre as operações ou obtenha autorização formal do Congresso para continuar a ofensiva. O impasse sobre a transparência nas baixas segue sem resolução definitiva.