Suspeita usou cartões de vítimas após homicídios

Foto: Reprodução
Diarista suspeita de matar casal de idosos com 24 facadas usou cartões das vítimas e confessou o crime à polícia
A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, suspeita de matar um casal de idosos com ao menos 24 facadas, usou os cartões de crédito das vítimas após o crime. Segundo o delegado Gustavo Barletta, ela foi presa na madrugada de terça-feira, em Itabira (MG), e chegou a confessar o assassinato do advogado Cláudio Atala Inácio e de sua esposa, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, encontrados mortos no apartamento onde moravam, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte. De acordo com o delegado Gustavo Barletta, Paola Stefany tentou converter o limite do cartão de crédito das vítimas em dinheiro em espécie.
Ela procurou um estabelecimento e propôs uma compra de cerca de R$ 4 mil, oferecendo ao comerciante uma comissão pelo valor retido. O próprio dono do restaurante procurou a polícia para relatar o ocorrido. "Ele nos informou que a Paola procurou o estabelecimento oferecendo passar um cartão de crédito no valor mais ou menos de R$ 4 mil para que ele retornasse um valor e retesse uma quantia em dinheiro para ele", afirmou Barletta em entrevista à TV Globo.
A perícia apontou que o advogado foi atingido por 17 facadas, enquanto sua esposa sofreu sete golpes. Os corpos foram encontrados pelo filho do casal, que estranhou a falta de contato desde a manhã de segunda-feira. Segundo a Polícia Militar, Maria Clotilde estava caída na sala, e Cláudio foi localizado sobre a cama de um dos quartos. A Polícia Civil descreveu a cena como brutal: "A cena foi grotesca, muito sangue casa afora. Foi de extrema barbárie e violência a forma como esses idosos foram acionados. Só para vocês terem uma ideia, a senhora tinha sete facadas no corpo e o homem, 17. Isso por si só já denota quão intencionada esta autora estava em ceifar a vida dos idosos."
A investigação apura a possibilidade de latrocínio, crime de roubo seguido de morte. A perícia não encontrou sinais de arrombamento no apartamento, mas identificou uma gaveta revirada onde eram guardadas semijoias. Familiares relataram ainda o desaparecimento de objetos, como celulares e uma bolsa de grife. As câmeras de segurança do condomínio registraram a entrada de Paola Stefany por volta das 7h e sua saída às 15h30, usando roupas diferentes das que vestia ao chegar e carregando uma sacola que seria de uma das vítimas.
Uma peça de roupa com manchas de sangue foi encontrada em uma caçamba de lixo e será submetida à perícia. Segundo a polícia, Paola Stefany confessou o crime e admitiu ter vendido por cerca de R$ 3 mil os objetos levados do apartamento, como relógios, bolsa e celulares. Os agentes teriam encontrado com ela o valor de R$ 18 mil em dinheiro. O delegado Gustavo Barletta comentou sobre o valor estimado dos bens subtraídos: "A gente pode estimar em R$ 200 mil, mas esses valores na revenda no mercado paralelo é fantasioso, ela inclusive confessou que vendeu tudo por R$ 3.300. Não acho que deve ser mentira porque realmente, na rua, o que vale é o momento, a rapidez."
A defesa de Paola Stefany, representada pelo advogado Bruno Correa, reafirmou confiança no Judiciário e sinalizando que apresentará seus argumentos no momento oportuno. "As razões defensivas serão apresentadas no momento processual oportuno, com base nos elementos constantes dos autos e nas provas que vierem a ser produzidas, sempre com respeito às instituições e à atuação das autoridades competentes. Neste momento, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e ressalta que qualquer conclusão acerca da responsabilidade da investigada deve decorrer exclusivamente da regular instrução processual, e não de julgamentos antecipados ou da repercussão do caso."
Cláudio Atala Inácio fundou, em 1995, o escritório Atala Inácio & Advogados Associados, sendo formado e pós-graduado em Direito Empresarial pela PUC Minas. A OAB-MG lamentou a morte e anunciou a criação de uma comissão especial para atuar como assistente de acusação no processo criminal, caso haja denúncia. Já Maria Clotilde era empresária e foi proprietária de uma loja de presentes e artigos de decoração no bairro São Pedro. A Polícia Civil informou que o caso segue em apuração, com a realização de depoimentos, e que a principal linha de investigação é o latrocínio.