Diarista suspeita de matar casal de idosos é levada a presídio na Grande BH

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Paola Stefany Neto Cirino, suspeita de matar casal de idosos a facadas em BH, foi presa em Itabira e confessou o crime aos investigadores
A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, suspeita de matar um casal de idosos a facadas em um apartamento de luxo em Belo Horizonte, já foi inserida no sistema prisional mineiro, conforme informou a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Ela foi encaminhada ao Presídio José Abranches Gonçalves, em Ribeirão das Neves, na Grande BH, após ser presa em Itabira (MG) na madrugada de quinta-feira (2). No momento da prisão, a suspeita estava acompanhada do filho, de seis anos, em um hotel da cidade. Um vídeo registrou a abordagem feita pelos investigadores.
Paola Stefany ainda deve passar por audiência de custódia, ocasião em que a Justiça avaliará a legalidade da prisão e decidirá sobre a manutenção da prisão preventiva. Em nota, o advogado de defesa afirmou que os argumentos serão apresentados "no momento oportuno, com base nas provas produzidas durante o processo", declarando que eventual responsabilização da investigada seja definida pela Justiça, "e não por julgamentos antecipados ou pela repercussão do caso".
Em entrevista nesta quinta-feira (2), o delegado Gustavo Barletta afirmou que a Polícia Civil localizou Paola Stefany ainda na quarta-feira (1º), em Itabira, e passou a monitorar seus deslocamentos por meio do setor de inteligência antes de efetuar a prisão. A suspeita não resistiu à abordagem e disse aos policiais que já esperava ser detida em razão da repercussão do caso. Durante conversa com os investigadores, Paola Stefany confessou o crime. Ela alegou que foi ao apartamento sem a intenção de cometer um roubo, mas decidiu furtar objetos de valor ao ver os bens do casal.
Questionada sobre o motivo de matar as vítimas, afirmou ter sofrido um "surto psicótico". No auto de prisão em flagrante, porém, preferiu permanecer em silêncio. O delegado também informou que a suspeita negou que o crime tenha sido motivado por dívidas com jogos de azar. Segundo Barletta, Paola Stefany disse que os débitos mencionados anteriormente já haviam sido quitados e alegou que pretendia vender os objetos levados do apartamento apenas para obter dinheiro para despesas pessoais.
O advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, foram encontrados mortos no apartamento onde moravam, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, na última terça-feira (30). O filho do casal, de 45 anos, foi quem descobriu os corpos na tarde daquele dia, após não conseguir contato com os pais desde as 10h da segunda-feira (29). Segundo o boletim de ocorrência, o corpo de Maria Clotilde estava na sala e o de Cláudio, no quarto. Um familiar relatou que o advogado foi vítima de 17 facadas, enquanto a esposa foi atingida sete vezes. A perícia concluiu que o crime ocorreu, possivelmente, na tarde de segunda-feira (29).
Câmeras de segurança registraram a chegada de Paola Stefany ao prédio por volta das 7h30 e a saída, oito horas depois. As imagens da chegada mostram a mulher tocando o interfone, vestindo uma blusa estampada com a bandeira dos Estados Unidos, calça e sapato branco, carregando uma bolsa. Já as imagens da saída, por volta das 15h30, mostram a suspeita com outra blusa e carregando duas sacolas grandes, sendo que uma delas pertencia à Maria Clotilde, segundo o filho da idosa. Após deixar o prédio, Paola Stefany teria descartado uma blusa suja de sangue e uma bolsa em uma caçamba em uma rua paralela à do edifício e, em seguida, entrou em um carro que estava à sua espera. Câmeras de segurança também registraram essa ação.
Inicialmente, a Polícia Militar foi ao endereço da mulher em Ribeirão das Neves, mas ela não foi encontrada. Uma tia de Paola Stefany relatou aos policiais que a sobrinha chegou em casa na segunda-feira, por volta das 19h, com uma mochila que disse ter ganhado, acompanhada do filho. Na manhã de terça-feira, a suspeita juntou os pertences dela e do filho e disse que viajaria para o Espírito Santo e depois ficaria em um hotel. Ela foi localizada e presa na madrugada de quinta-feira em um hotel de Itabira. O caso é investigado como latrocínio, pois a gaveta de semijoias do apartamento foi arrombada e os celulares dos idosos foram levados. Os aparelhos foram recuperados pela Polícia Civil na quarta-feira (1º), em Vespasiano, na Grande BH.
Segundo as investigações, após deixar o prédio, Paola Stefany teria ido ao Centro de Belo Horizonte para tentar vender alguns dos pertences roubados. A polícia ainda investiga se outras pessoas participaram do crime e qual o envolvimento do motorista do carro em que a suspeita embarcou. O veículo ficou cerca de 15 minutos à espera da mulher. A faca utilizada no crime ainda não foi localizada. Cláudio Atala Inácio era advogado com mais de 40 anos de experiência, atuando principalmente nas áreas de direito empresarial e trabalhista, e era sócio-fundador de um escritório de advocacia em Belo Horizonte. A esposa, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, era empresária. Paola Stefany havia sido indicada por um primo de Maria Clotilde para trabalhar na casa do casal como diarista, sendo esta a primeira vez que a mulher esteve na residência das vítimas.