PB: delegados e agentes da Polícia Civil são presos por desvio de drogas

Foto: Reprodução
Juíza converte prisões temporárias de delegado e agentes em preventivas; ao todo, sete pessoas tiveram a medida decretada na Paraíba
A juíza Conceição de Lourdes Marsicano de Brito Cordeiro, da 2ª Vara Regional das Garantias, converteu nesta sexta-feira (31) as prisões temporárias do delegado Braz Morroni e dos agentes da Polícia Civil Everton Aires e Eduardo Jorge em prisões preventivas. Os três são investigados no âmbito da Operação Perfidus, que apura um esquema de desvio de drogas envolvendo policiais e traficantes na Paraíba. Na semana anterior à decisão, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) havia denunciado os três suspeitos pelos crimes de furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual. A Polícia Civil já havia indiciado o trio no contexto da mesma operação.
Na mesma decisão judicial, outras quatro pessoas também tiveram a prisão preventiva decretada: - João Wicttor Alves de Lima, apontado como responsável por armazenar, refinar e comercializar drogas fornecidas pelos policiais, além de realizar transferências financeiras para integrantes do esquema; - Brendo Roberth Fernandes Sobral, conhecido como "Breno", tido como subordinado de João Wicttor, com atuação na guarda, refino e distribuição dos entorpecentes; - Paulo Ricardo Barbosa de Souza, o "Galinha", apontado como informante dos policiais e distribuidor de drogas, que fornecia informações sobre depósitos de facções rivais em troca de parte das cargas desviadas; - José Alexandrino de Lira Júnior, o "Júnior Lira", descrito como líder da distribuição de grandes carregamentos de drogas no Sertão da Paraíba e também no Rio Grande do Norte. Em paralelo, a magistrada determinou que a prisão temporária domiciliar de Vanessa Dantas, investigada como suposta "tesoureira" do esquema no Sertão da Paraíba, fosse convertida em prisão preventiva, mantendo-a recolhida na própria residência.
A Operação Perfidus investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões pertencentes aos investigados. O principal apontado como operador do grupo criminoso é o investigador da Polícia Civil Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba" ou "Bombado". Conforme a decisão judicial que autorizou a operação, ele seria o elo entre policiais e traficantes, responsável por guardar drogas desviadas, negociar carregamentos de cocaína e skunk, organizar a contabilidade clandestina, orientar integrantes do grupo sobre lavagem de dinheiro e até atuar em esquemas paralelos de importação irregular de mercadorias e comercialização de anabolizantes.
O documento também menciona movimentações financeiras incompatíveis com sua renda e diversas transações com suspeitos ligados ao tráfico. O segundo agente preso, Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca", é apontado como participante direto das ações de subtração de drogas. Segundo a decisão judicial, ele monitorava carregamentos de facções, manipulava rastreadores instalados em veículos e armazenava entorpecentes em sua residência. O documento destaca ainda movimentações financeiras milionárias, relações comerciais consideradas suspeitas e mecanismos de ocultação patrimonial por meio de empresas e terceiros. A investigação também menciona Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como "Babau", integrante da facção criminosa Nova Okaida. Segundo as apurações, ele teria sido uma das vítimas do desvio de drogas praticado pelos policiais e foi quem divulgou imagens nas redes sociais que deram origem às investigações. Ele foi o único entre os citados que não foi preso no cumprimento do mandado de prisão. A Operação Perfidus representa um dos casos mais expressivos de investigação interna da Polícia Civil da Paraíba nos últimos tempos, com o envolvimento de um delegado, agentes e uma rede de civis articulada para desviar entorpecentes e movimentar recursos de origem ilícita.