Netanyahu se reúne com Trump na Casa Branca

Donald Trump e Benjamin Netanyahu em encontro na Casa Branca — Foto: ALEX WONG / Getty Images
Primeiro encontro entre os líderes desde o início da guerra no Oriente Médio ocorre em meio a atritos diplomáticos entre EUA e Israel
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu desembarcou em Washington nesta terça-feira (28/7) para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro é o primeiro entre os dois líderes desde o início da guerra no Oriente Médio, conflito que gerou atritos entre os tradicionais aliados. As divergências entre os dois governos ficaram mais evidentes durante a campanha contra o Irã e chegaram ao ponto de maior tensão em abril, quando as negociações por um cessar-fogo com Teerã ampliaram o distanciamento entre Washington e Tel Aviv.
Na ocasião, Trump chegou a criticar publicamente Netanyahu, chamando o premiê israelense de "cara muito difícil". O líder israelense minimizou as trocas de farpas na época, chamando-as de "divergências táticas", e afirmou que ambos concordavam com os objetivos da guerra. Antes do encontro na Casa Branca, o oitavo desde o retorno de Trump ao poder no ano passado, os dois líderes tentaram apaziguar a situação.
A reunião deve se concentrar em diversas questões do Oriente Médio, com destaque para o Irã, onde Washington afirma querer dar uma nova chance à diplomacia após duas semanas de bombardeios sem precedentes desde o cessar-fogo de abril. Israel, que lançou a ofensiva contra o Irã em conjunto com os Estados Unidos em 28 de fevereiro, não participou desta última rodada de hostilidades. "Discutiremos todas as questões (...) e, em primeiro lugar, o Irã, naturalmente. Nosso objetivo é garantir nossa segurança, mas também ampliar o círculo de paz ao nosso redor", disse Netanyahu antes de partir para Washington.
Outros tópicos em pauta incluem a reconstrução da Faixa de Gaza e a implementação do acordo mediado pelos EUA entre Israel e Líbano para encerrar a guerra naquela frente. Segundo Yonatan Freeman, especialista em relações internacionais da Universidade Hebraica de Jerusalém, o principal objetivo do encontro é dissipar especulações sobre um possível esfriamento nas relações entre os dois países. Para Freeman, existem "mais pontos de concordância do que de discordância" entre Israel e os Estados Unidos. Quaisquer diferenças potenciais dizem respeito aos meios — cronograma, intensidade das operações militares ou objetivos imediatos — e não aos fins, segundo o especialista.