Prefeito de Nova York pede que governo Trump prenda Netanyahu

Prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, em pronunciamento - Imagem: NYC Mayor's Office via YouTube/Handout
Prefeito de Nova York pede que Trump prenda Netanyahu, após TPI emitir mandado por crimes de guerra em Gaza
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, declarou que seu gabinete não tem autonomia para executar o mandado de prisão internacional contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a quem chamou de "criminoso de guerra". Mamdani pediu formalmente que o governo federal de Donald Trump realize a prisão do líder israelense.
Em vídeo publicado na noite de terça-feira (21/7), Mamdani afirmou que sua equipe jurídica "examinou todas as possibilidades" de prender Netanyahu caso ele visitasse Nova York, mas concluiu que "não tem autoridade legal independente para executar esse mandado". Em seguida, direcionou a responsabilidade ao governo federal: "O governo federal, no entanto, tem [autoridade para executar o mandado], e eu o convoco a se juntar ao TPI e executá-lo".
O Tribunal Penal Internacional (TPI), também conhecido como Tribunal de Haia, emitiu em novembro de 2024 um mandado de prisão contra Netanyahu, acusando-o de crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Faixa de Gaza. O tribunal afirma ter provas de que Israel deliberadamente cometeu crimes de guerra ao atacar civis.
Mamdani também citou um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado no mês passado, que concluiu que Israel continua visando deliberadamente atacar menores palestinos.
No último sábado (18/7), Mamdani já havia sinalizado que avaliava a possibilidade de executar o mandado de prisão contra Netanyahu caso ele fosse a Nova York. A declaração gerou reações imediatas.
Donald Trump respondeu na segunda-feira (20/7), em publicação nas redes sociais, afirmando que "Netanyahu não será preso enquanto estiver nos Estados Unidos, de forma alguma". O gabinete de Netanyahu também rebateu as declarações do prefeito nova-iorquino, classificando o mandado do TPI como "fraudulento" e argumentando que o documento "não tem jurisdição sobre americanos ou israelenses".
O comunicado israelense ainda provocou Mamdani diretamente, afirmando que ele "deveria se concentrar em reparar o dano que suas políticas causaram a Nova York".
A situação evidencia a tensão entre autoridades municipais, o governo federal norte-americano e instâncias internacionais no que diz respeito ao cumprimento de mandados emitidos pelo TPI contra líderes estrangeiros em solo americano.