Milei culpa esquerda e responsabiliza oposição por onda anti-Argentina

Fonte: Wikimedia/Vreative Commons
Presidente argentino compartilhou publicações no X atribuindo o movimento à esquerda global e responsabilizando a oposição pelo cenário
O presidente da Argentina, Javier Milei, utilizou intensamente sua conta na rede social X nos últimos dias para comentar a onda de manifestações consideradas anti-Argentina, especialmente após a eliminação da seleção argentina na Copa do Mundo, onde o time de Lionel Messi foi vice-campeão ao perder para a Espanha na final do último domingo (19).
Entre as dezenas de publicações feitas na quarta-feira (22/7), Milei compartilhou mensagens que atribuem o movimento à atuação da esquerda global e apontam a oposição argentina como uma das responsáveis pelo cenário.
Em uma das postagens compartilhadas, o escritor e influenciador de ultradireita Agustín Laje afirmou que a oposição teve papel decisivo na construção dessa narrativa. "Eles validaram o "wokismo" que hoje nos acusa de racismo; promoveram a ideia de que os jogadores eram párias; fomentaram o ódio contra Messi; e alimentaram, a partir da própria Argentina, a mentira de que a seleção venceu graças aos árbitros e aos favores da Fifa", escreveu. Milei endossou a declaração ao responder: "Absolutamente correto".
O texto de Laje culpa o kirchnerismo, como é chamada a principal força política de esquerda argentina, em referência aos ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner, e seu "wokismo", termo pejorativo para a agenda progressista importado da direita americana.
As justificativas para o rechaço à Argentina vão do suposto favorecimento da arbitragem ao país sul-americano a questões mais sérias, como cantos racistas da torcida e até mesmo o governo de ultradireita de Milei.
Outra publicação repostada pelo ultraliberal diz que, aos "inimigos do ocidente", convém "impedir que a Argentina volte a ser próspera". "Não é a primeira vez que tentam, mas agora Javier Milei governa e vai ser a primeira vez que fracassarão", completou Alejandro Fargosi, deputado e membro do partido de Milei.
Um apoiador do presidente também compartilhou o discurso de 2024 de Milei no Fórum Económico Mundial em Davos, no qual ele afirmou que o Ocidente estava em perigo porque aqueles que deveriam defendê-lo estão cooptados por uma visão de mundo que levaria ao socialismo. "Há dois anos e meio, Milei nos alertou sobre a campanha global coordenada e financiada contra a Argentina, que nada mais é do que mais uma escalada antiocidental", disse o apoiador, embora o trecho do discurso compartilhado não mencione uma campanha contra a Argentina.
A deputada Lilia Lemoine também se manifestou em publicação endossada por Milei: "Eles expressam seu ódio agora porque, com o governo de Javier Milei, estamos no caminho para nos tornarmos um país próspero novamente. Estamos avançando. E isso incomoda os progressistas invejosos e ressentidos."
O próprio presidente fez uma postagem sobre o assunto, citando o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill: "Você tem inimigos? Ótimo. Isso significa que você defendeu algo em algum momento da sua vida."
Celebridades entram na onda anti-Argentina
O tema ganhou ainda mais repercussão após celebridades também aderirem ao movimento. Na noite do último domingo, o ator Samuel Leroy Jackson pediu em publicação no Instagram que não torcesse pelos sul-americanos. "Argentina é, historicamente, um dos países mais racistas do mundo, se não o mais racista", afirmou.
A cantora espanhola Rosalía também entrou na controvérsia ao compartilhar um story da influenciadora Mia Khalifa com a música "La perla" de fundo, acompanhado da mensagem "Como a vida se parece agora que as "perlas" foram derrotadas". Com shows agendados para o início de agosto em Buenos Aires, Rosalía apagou o post após a reação do público argentino. "Cliquei em compartilhar porque "La Perla" estava tocando e eu nem li o que estava escrito. Erro meu, desculpe", escreveu em seguida.
A impopularidade da Argentina contrasta fortemente com o cenário de quatro anos atrás, quando o apoio aos sul-americanos era perceptível até mesmo no Brasil, adversário histórico do país vizinho. Grande parte desse apoio anterior se devia a Messi, que atualmente é cobrado por não se manifestar diante dos cantos racistas entoados pela torcida argentina.