Briga de Michelle e Flávio ofusca operação contra Jaques Wagner, diz pesquisa

Michelle e Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução
Pesquisa mostra que vídeo de Michelle Bolsonaro gerou 20,2 milhões de interações, superando repercussão da operação contra Jaques Wagner
Uma pesquisa do Instituto Democracia em Xeque revelou que o vídeo publicado por Michelle Bolsonaro dominou as redes sociais na última semana de junho, ofuscando a repercussão da ação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT), que foi obrigado a deixar a liderança do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional. O levantamento também aponta que Flávio Bolsonaro (PL) tem utilizado a Copa do Mundo como estratégia para se distanciar dos desgastes recentes ligados à sua pré-candidatura à presidência. Entre os dias 22 e 28 de junho, foram registradas 14.921 publicações de atores políticos. Desse total, 12% foram dedicadas ao vídeo de Michelle Bolsonaro — divulgado na noite do dia 24 —, gerando 20,2 milhões de interações.
No conteúdo, a ex-primeira-dama abordou a crise com o senador Flávio Bolsonaro e as divergências internas no Partido Liberal. Os termos mais utilizados nas publicações foram "humilhada" e "maltratada", palavras empregadas pela própria Michelle Bolsonaro para descrever o tratamento recebido de Flávio. No dia seguinte à divulgação do vídeo, em 25 de junho, Michelle Bolsonaro concentrou 25% de todos os posts sobre política. Isso significa que, a cada quatro publicações sobre os mais variados assuntos do tema — como política externa e Supremo Tribunal Federal —, uma foi sobre a ex-primeira-dama.
Ao longo da semana, a polêmica foi mais discutida pela extrema-direita, responsável por 51% das publicações. A esquerda respondeu por 22% do que foi publicado sobre o desgaste, enquanto a imprensa foi responsável pelos outros 27%. Ao mesmo tempo, o tema "corrupção", eixo temático utilizado pelo Democracia em Xeque para reunir publicações sobre a Operação Compliance Zero no caso Banco Master, somou apenas 9% do total de publicações — menos da metade das interações relacionadas ao vídeo de Michelle Bolsonaro, com 9,1 milhões.
O termo mais buscado nesse contexto foi "Jaques Wagner", principal alvo da PF na última fase da operação voltada para apurar esquemas de fraudes ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro. A senadora Teresa Leitão (PT-PE), designada para assumir a liderança do governo no Senado, também esteve entre os tópicos mais comentados. O eixo "Política Nacional" liderou em volume de publicações, reunindo 42% dos posts e 39% das interações — equivalente a 48,9 milhões —, sustentado pela polarização entre os campos políticos em torno da disputa eleitoral.
Cerca de 18% das publicações nesse eixo trataram do futebol como instrumento de confronto político, segundo o Democracia em Xeque. O debate foi motivado pela declaração crítica do presidente Lula contra o jogador Neymar, que foi defendido por Flávio Bolsonaro. "Impelido também pela necessidade de se esquivar dos temas do "Dark Horse", assumiu a torcida pela volta do jogador do Santos aos gramados, colocando-o como esperança do país na Copa. Caso o jogador entre na partida do Brasil contra a Noruega no próximo domingo e seja decisivo, o episódio tende a ser explorado pela campanha de Flávio", explica o instituto. A publicação mais repercutida de Flávio Bolsonaro no período analisado não foi sua resposta ao vídeo de Michelle Bolsonaro.
Após a vitória do Brasil contra o Japão, o presidenciável ironizou que quem salvou o país "foi o 22", em alusão ao número da camisa do jogador Gabriel Martinelli, autor do gol decisivo — o mesmo número utilizado pelo PL nas urnas. O vídeo alcançou 11,8 milhões de visualizações. Para efeito de comparação, o vídeo com maior alcance de Lula no mesmo período chegou a 3,7 milhões de visualizações, quando o presidente anunciou o lançamento da Fragata Cunha Moreira junto à Marinha do Brasil. A pesquisa evidencia como Michelle Bolsonaro dominou o debate político digital na última semana de junho, enquanto Flávio Bolsonaro buscou na Copa do Mundo um caminho para contornar desgastes internos e projetar sua imagem para o eleitorado.