Capitã da PM morta será sepultada nesta quarta

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Capitã da PM morta em BH será velada na Funerária São Cristóvão; sargento companheiro foi preso em flagrante como suspeito
A capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, será velada e sepultada nesta quarta-feira (22) em Belo Horizonte. Ela foi levada sem vida ao Hospital Odilon Behrens, na região Noroeste da capital mineira, na noite de segunda-feira (20), pelo próprio companheiro, o sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, que foi preso em flagrante como suspeito de sua morte. A cerimônia de despedida de Michele Leão Azevedo será realizada na Funerária São Cristóvão, no bairro Nova Gameleira, das 9h às 15h. De acordo com familiares, o sepultamento está previsto para as 16h, no Cemitério da Paz.
Um vídeo registrou o momento em que o sargento saiu do apartamento do casal carregando Michele já desacordada. A policial foi declarada morta após dar entrada no hospital sem sinais vitais e com múltiplas lesões corporais. Eduardo Abner ingressou na Polícia Militar após ser aprovado em concurso público em 2007. Dois anos depois, em 2009, a corporação instaurou um Processo Administrativo de Exoneração (PAE) contra ele e determinou seu desligamento. A justificativa foi que o sargento havia sido apreendido por porte ilegal de armas de fogo quando era adolescente e omitiu a informação ao preencher o Formulário de Ingresso na Corporação (FIC). O Estado de Minas Gerais alegou que a ação configurou falta de idoneidade moral. No entanto, a 3ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte declarou nulo o ato de exoneração e determinou a reintegração do sargento ao quadro da Polícia Militar.
O Estado de Minas Gerais recorreu da decisão, mas os desembargadores da 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça (TJMG) negaram provimento aos recursos e confirmaram o entendimento da primeira instância. Além disso, o TJMG determinou que o Estado pagasse os salários devidos ao sargento durante o período em que ele ficou afastado das funções.
O sargento Eduardo Abner já havia sido denunciado por duas ex-namoradas, suspeito de agredi-las. Um dos registros foi em 2014 e o outro em 2016. No primeiro caso, a mulher denunciou o sargento por ameaças e agressões após o fim de um relacionamento de oito meses. A segunda denunciante relatou que sofreu um soco no rosto após flagrar uma traição cometida pelo policial militar. Depois disso, ela encerrou o relacionamento, mas o homem não aceitou a separação. A ex-companheira chegou a receber uma medida protetiva contra ele. No entanto, Eduardo Abner desrespeitou a decisão judicial e ameaçou familiares da mulher. Na noite de segunda-feira (20), Michele Leão Azevedo deu entrada sem sinais vitais e com múltiplas lesões corporais no Hospital Odilon Behrens.
Eduardo Abner relatou à corporação que o casal teria dado uma festa e, após a saída dos convidados, por volta das 5h, eles teriam tido relações sexuais consensuais envolvendo práticas de dominação e agressões físicas, conhecidas como "spanking". O suspeito alegou que esse tipo de prática fazia parte do relacionamento, que tinha cerca de oito anos, e que os atos daquela madrugada foram gravados em vídeo. Ele também disse que as práticas incluíam agressões corporais, compressão do pescoço e outros atos de dominação. O militar argumentou ainda que, por volta do meio-dia, a esposa teria caído da escada de casa, sofrido um corte profundo na cabeça e machucado a boca. Segundo ele, Michele Leão Azevedo reclamava de forte tontura, mas não quis ir ao médico por sentir vergonha do estado em que estava após o uso de ecstasy. Conforme a versão apresentada pelo sargento, ele teria prestado os primeiros socorros, dado banho na esposa, controlado o sangramento e, em seguida, a colocado deitada. Os dois teriam dormido por volta das 15h e, apenas às 21h, ele teria percebido que a mulher não respondia aos estímulos.