PMMG estuda exames toxicológicos durante carreira após morte de capitã

Capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, foi morta pelo esposo Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 — Foto: Redes sociais
Morte da capitã Michele Leão Azevedo leva a PMMG a estudar exames toxicológicos periódicos para policiais militares durante a carreira
A morte da capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, e a investigação que aponta o possível uso de drogas pelo casal reacenderam o debate sobre a fiscalização interna na Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).
Nesta quarta-feira (22), o porta-voz da corporação, capitão Rafael Veríssimo, afirmou que a instituição estuda a adoção de exames toxicológicos ao longo da carreira dos policiais militares.
A declaração foi feita após questionamentos sobre o fato de o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, preso por suspeita de feminicídio, ter afirmado em depoimento que ele e Michele consumiram comprimidos de ecstasy durante uma festa na residência do casal, horas antes da morte da capitã.
"Esse tipo de exame já é exigido para o ingresso na instituição, no concurso público. Em relação à implementação ao longo da carreira, isso já está sendo estudado pela instituição", afirmou Veríssimo.
Segundo o porta-voz, a medida ainda depende de previsão legal e de discussões com outros órgãos, mas pode fortalecer ações preventivas.
"É algo que está sendo avaliado. Evidentemente, precisamos de uma previsão legal para isso também. É uma tratativa que precisa acontecer com outros órgãos, mas fato é que esse tipo de exame pode auxiliar, sim, em situações preventivas, tanto para tratamento quanto para evitar um contexto criminal como esse", declarou.
Festa com drogas
Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, descartou uma caixa contendo comprimidos de ecstasy no lixo do Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, após dar entrada na unidade com a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, já sem vida, na noite de segunda-feira (20).
Em depoimento à Polícia Militar, Eduardo afirmou que ele e Michele participaram de uma festa na residência do casal na noite anterior à morte, ocasião em que os dois consumiram bebidas alcoólicas e 18 comprimidos de ecstasy junto com amigos.
A mãe da capitã declarou que só passou a desconfiar do uso de drogas da filha após o início do relacionamento com Eduardo e acredita que Michele tenha sido influenciada pelo companheiro.
Em entrevista à Itatiaia, Marlon Leão, tio da capitã Michele Leão Azevedo, descreveu o sargento Eduardo Abner como uma pessoa calculista e com histórico de comportamento violento.
"É uma pessoa fria, calculista, sempre com atitudes de malandro. Tem minha filha, que tinha 12 anos de idade. Ele ofereceu cigarro eletrônico para ela e para o meu filho. A partir desse dia eu nem olhei mais na cara dele. Para mim isso é malandro, é bandido. Uma pessoa representando a Polícia Militar nunca poderia fazer isso", afirmou o tio.
Histórico do sargento
Rafael Veríssimo também confirmou que Eduardo já havia figurado como autor em três boletins de ocorrência relacionados à violência doméstica.
Um dos registros é de 2014, antes de o militar ingressar na corporação, e outro ocorreu em 2016, já como policial militar.
O porta-voz explicou ainda que Eduardo chegou a ser exonerado durante o curso de formação após omitir, na ficha de ingresso da PM, que havia sido apreendido quando adolescente por porte ilegal de arma de fogo.
A exclusão, porém, foi revertida pela Justiça, e ele retornou à corporação em 2015.
A capitã Michele Leão Azevedo chegou sem vida ao Hospital Odilon Behrens na noite de segunda-feira (20).
Segundo a equipe médica, ela apresentava traumatismo craniano, hematomas e diversas lesões pelo corpo, e já estava morta havia entre quatro e seis horas.
Eduardo afirmou à Polícia Militar que o casal manteve relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas, e que Michele sofreu uma queda da escada, recusando atendimento médico.
Além do descarte dos comprimidos de ecstasy, a perícia identificou que o sargento colocou roupas de cama para lavar antes da chegada dos investigadores.
Os agentes também apreenderam um cabo de madeira quebrado, que pode ter sido utilizado nas agressões.
A Justiça converteu, nesta quarta-feira (22), a prisão em flagrante de Eduardo em prisão preventiva.
A capitã Michele Leão Azevedo foi sepultada no Cemitério da Paz na mesma data.