Sargento suspeito de matar a capitã Michele Leão tem prisão preventiva decretada

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Sargento da PMMG suspeito de matar a capitã Michele Leão Azevedo tem prisão preventiva decretada pela Justiça de BH
A prisão em flagrante do 3º sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, foi convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada na quarta-feira (22/7). O sargento é suspeito de matar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos. O procedimento ocorreu na Central de Audiência de Custódia da Comarca de Belo Horizonte (Ceac-BH), no bairro Lagoinha, na Região Noroeste da capital. A decisão é do juiz Antônio Francisco Gonçalves e partiu do entendimento de que "a segregação cautelar era necessária para a garantia da ordem pública".
A pedido da defesa do sargento, o caso foi colocado sob sigilo pela Justiça, com a intenção de "resguardar direitos fundamentais, como a intimidade e a vida privada dos envolvidos". Eduardo foi preso em flagrante na noite da última segunda-feira (20/7) após levar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, já sem vida, ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte. Lotado no 1º Batalhão da PMMG, ele estava detido no 34º Batalhão da corporação. Em depoimento, o sargento afirmou que os dois consumiram bebidas alcoólicas e ecstasy e que Michele Leão Azevedo teria caído de uma escada após práticas sexuais consensuais envolvendo agressões. Segundo ele, a capitã recusou atendimento médico e morreu horas depois. A versão, porém, passou a ser contestada pela Polícia Civil.
Exames preliminares apontaram múltiplas lesões pelo corpo da vítima, incluindo marcas compatíveis com chicotadas e um grave ferimento no rosto. A investigação também apura relatos de familiares sobre um histórico de relacionamento abusivo. Durante o atendimento no hospital, Eduardo ainda foi flagrado tentando descartar uma caixa com 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira, motivo pelo qual também passou a responder por tráfico de drogas.
Michele Leão Azevedo era capitã da Polícia Militar de Minas Gerais, respeitada na corporação, e era casada há cerca de oito anos com o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira. Ela construiu uma trajetória de destaque na PMMG, com vários cursos na área de defesa e segurança pública. Concluiu o curso de formação complementar de Multiplicador de Direitos Humanos, oferecido pela própria corporação, e fez especialização em docência do Ensino Superior pelo Instituto Federal do Sul de Minas (IFSULDEMINAS).
Segundo depoimento da mãe da vítima à Polícia Civil, Michele Leão Azevedo vivia um relacionamento considerado abusivo. A mãe afirmou que a filha era constantemente humilhada pelo marido, que exercia controle sobre sua vida e praticava manipulação emocional. Ainda conforme o relato, Michele tentava colocar fim ao relacionamento, mas o sargento não aceitava a separação. Em uma das ocasiões, ele teria permanecido em frente à casa da mãe da capitã após uma discussão entre o casal. No dia da morte, Michele Leão Azevedo tinha um encontro marcado com a mãe. Ela chegou a atender uma ligação falando baixo e dizendo que não poderia comparecer. Depois disso, deixou de responder às mensagens da mãe. Eduardo possui dois boletins de ocorrência por violência doméstica registrados em seu nome, nos anos de 2014 e 2016, sem relação com a capitã Michele Leão Azevedo. O caso segue sendo investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, que aguarda os laudos periciais para esclarecer a dinâmica da morte da capitã.