Espanha e Argentina decidem a Copa em duelo de estilos opostos

Lionel Messi e Lamine Yamal se enfrentam na final da Copa do Mundo 2026 (Fotos: Thomas Coex e Paul Ellis)
Argentina de Messi e Espanha coletiva se enfrentam na final da Copa com estilos opostos e histórias de superação
A final da Copa do Mundo, disputada no domingo (19/7), coloca frente a frente Espanha e Argentina em um confronto de estilos radicalmente distintos. De um lado, o rigor metódico e a posse de bola espanhola; do outro, a fúria emocional e a garra argentina construída em torno de uma superestrela como Lionel Messi. Dois modelos consolidados, cada um à sua maneira, prontos para decidir o título mundial.
O estilo de jogo da Espanha é amplamente reconhecido: a posse de bola é fundamental, e a troca de passes com um ou dois toques se tornou marca registrada da equipe desde a Eurocopa de 2008. Nesta Copa do Mundo, as sequências de passes foram inofensivas na estreia contra Cabo Verde (0 a 0), mas a fórmula ganhou intensidade e eficácia nas rodadas seguintes, impulsionada pelo trio formado por Rodri, Fabián Ruiz e Dani Olmo, considerado o "melhor" meio-campo do mundo pelo técnico Luis de la Fuente.
O segundo gol na semifinal contra a França (2 a 0), marcado por Pedro Porro, foi o desfecho de uma sequência de cerca de 20 passes iniciada por Dani Olmo ainda na área espanhola.
A Argentina, por sua vez, chegou à final com um estilo mais direto e uma capacidade impressionante de se manter firme nas situações mais adversas. Contra Cabo Verde, nas oitavas, e contra a Suíça, nas quartas, a equipe precisou da prorrogação.
O momento mais dramático veio diante do Egito. Os africanos venciam por 2 a 0 a menos de dez minutos do fim, mas a Albiceleste conseguiu a virada e triunfou por 3 a 2.
Na semifinal contra a Inglaterra, a Argentina também saiu atrás no início do segundo tempo, mas buscou a virada com gols nos minutos finais, vencendo por 2 a 1 com Enzo Martínez e Lautaro Martínez, ambos após assistências de Messi.
"Eles jogam como se tivessem sete ou oito anos. Não se perguntam 'E se eu errar?' ou 'E se formos eliminados?'. Eles não pensam nisso, só em jogar futebol", disse o técnico Lionel Scaloni após a semifinal contra os ingleses.
Messi e seus soldados contra a força coletiva
Oito vezes vencedor da Bola de Ouro e no Olimpo dos maiores jogadores de todos os tempos, Messi é a referência absoluta da Argentina, onde possui status quase sagrado. Com oito gols e quatro assistências em sete jogos, ele continua a surpreender o mundo aos 39 anos.
Mesmo sem marcar na semifinal, Messi foi decisivo com duas assistências na virada. Nos momentos difíceis, o camisa 10 assume o papel de líder para que seus companheiros não desmoronem. Tudo na seleção argentina, tanto no aspecto técnico quanto no emocional, passa por Messi.
Isso contrasta com a campanha espanhola, na qual o jogador cotado para ser a grande estrela, Lamine Yamal, teve desempenho mais discreto, marcando apenas um gol até o momento. A força da Espanha, porém, não partiu de nenhum nome individualmente.
"Enfrentamos uma das melhores seleções do mundo, mas eles tiveram pela frente a melhor equipe do mundo, esse é o segredo: somos uma equipe", declarou De la Fuente depois da vitória sobre a França na semifinal.
Em campo, os argentinos se mostraram firmes e, por vezes, duros contra os ingleses, com empurrões, cotoveladas e entradas que beiravam o limite das regras, provocando críticas da imprensa britânica. O The Telegraph chegou a contabilizar "31 golpes desleais" por parte dos adversários.
Após virar o placar, os jogadores da Argentina passaram a retardar o jogo, e o goleiro Emiliano Martínez chegou a fingir dores na parte posterior da coxa para atrasar o reinício da partida, atitude que enfureceu os ingleses.
Três dos 11 titulares da Argentina na semifinal eram jogadores do Atlético de Madrid, clube no qual o técnico Diego Simeone incutiu um espírito argentino que a "Roja" conhece bem.
A seleção espanhola, no entanto, também não se deixa intimidar facilmente. Contra a França, Rodri e seus companheiros interromperam o jogo quando necessário para quebrar as transições adversárias, terminando a partida com 12 faltas cometidas, apenas três a menos do que a Argentina diante da Inglaterra.
O goleiro Unai Simón também mexeu com o emocional dos franceses, provocando Mbappé até o astro do Real Madrid cometer uma falta nos minutos finais.
A final promete um duelo de filosofias: a posse de bola espanhola contra a garra e a genialidade de Messi. Dois modelos distintos, mas igualmente eficazes, em busca do título máximo do futebol mundial.