SP: Médica perde R$ 19 mil em golpe da taxa de entrega de flores

Médica de São Paulo foi vítima de um golpe no dia de seu aniversário - Foto: Reprodução
Marília Dalprá, médica de 69 anos, foi enganada por falso motoboy no dia do seu aniversário ao tentar pagar uma taxa de entrega de flores
Uma médica de São Paulo foi vítima de um golpe no dia de seu aniversário, na última quarta-feira (8/7). Marília Dalprá, de 69 anos, perdeu R$ 19 mil ao tentar pagar uma suposta "taxa de entrega" de flores que teriam sido enviadas como presente. O momento em que o golpe foi aplicado foi registrado por câmeras de segurança instaladas na residência da médica.
Marília Dalprá relatou ao Metrópoles como tudo aconteceu na porta de sua casa. Segundo ela, o esquema começou pelo WhatsApp, quando recebeu uma mensagem em nome de uma empresa conhecida de venda de flores informando sobre um "presente pago" em seu nome. "Eles falaram que poderiam entregar as flores na minha casa, pediram o endereço e eu dei. Eu imaginei que poderia ser de alguma paciente minha, porque eu sempre recebo flores no meu aniversário. Daí eles me enviaram uma mensagem dizendo que eu deveria pagar somente a taxa de entrega, de R$ 4,99. E eu falei que tudo bem."
Marília Dalprá disse não ter desconfiado do pagamento da taxa, imaginando que o presente poderia ter sido solicitado por alguma paciente mais idosa. "Eu pensei que talvez elas tenham feito o pedido na internet mas não souberam pagar a entrega. Imaginei isso", disse.
Já na porta de sua residência, o motoboy entregou a maquininha para o pagamento da taxa de R$ 4,99. Como as tentativas com o cartão apresentavam erro, Marília Dalprá tentou efetuar o pagamento via Pix, mas foi informada de que a entrega só aceitava cartão de crédito ou débito. O entregador então pediu que ela ligasse para o estabelecimento de flores solicitando um código para utilizar outra máquina. "Eu liguei no mesmo número que havia me mandado mensagem e um rapaz se identificou como funcionário da loja. Pedi o código, eu passei e o motoboy conseguiu acessar a maquininha."
Marília Dalprá relata que tentou mais vezes efetuar o pagamento, que continuava com erro. Novamente, foi orientada pelo entregador a ligar para a loja, e o atendimento, dessa vez, foi mais hostil. "O rapaz da loja falou bem bravo para o motoqueiro que ele teria que voltar ao estabelecimento porque ele não conseguiria liberar a entrega. Nessa hora, o motoboy falou assim: "Ai, meu Deus, eu tenho tanta coisa para fazer, vou ter que voltar lá de novo. Vamos tentar uma última vez?""
Foi nesse momento que o golpe foi efetivado. Marília Dalprá imaginou que o entregador havia digitado novamente o valor da taxa, mas descobriu depois que o valor cobrado foi de R$ 19 mil. "Depois, umas amigas comentaram que esse golpe é velho. Mas, no dia do meu aniversário, eu estou acostumada a receber flores, como eu poderia imaginar?", conta.
Após o crime, Marília Dalprá registrou uma reclamação no banco para contestar a compra feita no débito e também registrou o caso na polícia, que analisou as imagens das câmeras de segurança da residência para tentar identificar o entregador.
Golpes como esse, em que é cobrada uma taxa em valor muito superior ao informado no momento do pagamento, são recorrentes. O Procon de São Paulo orienta os consumidores sobre como se proteger dessas situações. "Ao realizar uma compra, recomenda-se que o consumidor não utilize máquina com o visor quebrado ou que não permita a leitura dos dados, que não perca seu cartão de vista e que confira o valor da compra antes de finalizar a transação."
Em casos de supostos presentes, o Procon recomenda confirmar com antecedência quem foi o responsável pelo envio e não realizar nenhum pagamento antes de verificar se o presente é real. "Caso tenha sido vítima de um golpe, a orientação é agir rápido: registrar boletim de ocorrência, avisar a instituição financeira imediatamente — especialmente em casos de transações via Pix ou cartão. Quanto mais ágil, maiores as chances de recuperar o valor", orienta o órgão.