Governo busca acordo parcial para reduzir tarifas dos EUA

Lula se reuniu com presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Ministro do MDIC deve ter nova rodada de reuniões com representante comercial dos EUA antes do prazo de 15 de julho
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, deve realizar ainda nesta semana uma nova rodada de negociações com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O objetivo é discutir o tarifaço de 25% proposto pelo governo americano sobre produtos brasileiros, em uma corrida contra o tempo para minimizar os impactos econômicos da medida.
Nos bastidores, membros do governo brasileiro reconhecem que a decisão dos EUA dificilmente será revertida por completo. No entanto, acreditam ser possível alcançar um acordo "parcial", no qual determinados setores fiquem excluídos das tarifas ou sejam submetidos a uma sobretaxa menor.
O prazo final para um eventual entendimento é o dia 15 de julho, quando a administração americana deve chegar a uma conclusão sobre a proposta. O encontro desta semana será o sexto entre as equipes de Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer.
O governo Lula optou por não se inscrever nas audiências marcadas para esta semana, com início na segunda-feira (6/7), destinadas a tratar das tarifas. Na avaliação do Itamaraty, essas sessões terão pouco efeito prático sobre as decisões do governo Trump.
Em sentido contrário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e o influenciador Paulo Figueiredo se inscreveram para participar das audiências.
Em um documento de 29 páginas enviado ao governo americano e assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Brasil defende que o Pix, um dos principais alvos das acusações dos EUA, está "longe de excluir empresas estrangeiras" e "expandiu o mercado brasileiro de pagamentos digitais e criou novas portas de entrada para provedores privados, incluindo empresas dos EUA".
O ministro argumentou ainda que a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 "não autoriza a impor sanções meramente porque discorda das escolhas políticas de outro país soberano".
Ao todo, os EUA acusam o Brasil em seis frentes distintas: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
O governo brasileiro segue empenhado em rebater cada uma dessas acusações enquanto busca um entendimento antes do prazo estabelecido pela administração americana.