Explosões atingem centro de Damasco perto de hotel onde Macron estava hospedado

Foto: Faces of the World/Flickr
Duas bombas explodiram perto do hotel onde Macron estava hospedado em Damasco, ferindo 18 pessoas, incluindo quatro policiais
Ao menos 18 pessoas ficaram feridas durante dois atentados com bomba em Damasco, na Síria, nesta terça-feira (7), em uma área próxima ao hotel onde estava hospedado o presidente da França, Emmanuel Macron. O líder francês já havia deixado o local e continuou sua visita ao país, conforme confirmado pelo Palácio do Eliseu.
O Ministério do Interior sírio informou que as 18 vítimas, entre elas quatro policiais, foram atingidas pela explosão de duas bombas caseiras. Um dos artefatos foi colocado em um veículo próximo ao Hotel Four Seasons e o outro em um contêiner de lixo a cerca de 200 metros de distância. As bombas explodiram "enquanto preparativos estavam em andamento" para desarmá-las, segundo o ministério.
"Vi três guardas de trânsito feridos no chão antes da área ser evacuada e as vias de acesso serem fechadas", disse Hamam Hammoud, funcionário de uma casa de câmbio, à AFP.
Repórteres da AFP que estavam no local viram janelas do Ministério do Turismo, situado em frente ao luxuoso Hotel Four Seasons, estilhaçadas pelas explosões, além de vestígios de sangue e fragmentos de metal nas proximidades. Um forte esquema de segurança foi montado na região, com a chegada de ambulâncias ao local.
Macron havia deixado o hotel para se encontrar com o presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, no palácio presidencial. Segundo dois jornalistas da AFP que acompanhavam a delegação francesa, o comboio presidencial não chegou a ouvir as explosões. Mais cedo, o presidente francês havia se reunido com representantes da sociedade civil no mesmo hotel.
O incidente ocorreu no segundo e último dia da visita de Macron à Síria. O líder francês é o primeiro chefe de Estado ocidental a visitar o país desde a queda de Bashar al-Assad e a tomada do poder por uma coalizão islamista no final de 2024. A agenda previa uma reunião com Al-Sharaa para discutir a reconstrução do país e reforçar a mensagem de "unidade" e "pluralidade" da Síria.
"País de trânsito para o petróleo"
Diversos líderes de empresas francesas integram a delegação de Macron, entre eles o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, que afirmou nesta terça-feira que a Síria poderia se tornar um "importante país de trânsito para o petróleo procedente do Iraque com destino ao Mediterrâneo" e oferecer "rotas alternativas" para o Estreito de Ormuz.
Al-Sharaa também destacou a "importância da geografia síria" como uma potencial alternativa à rota marítima para o trânsito de hidrocarbonetos, praticamente fechada durante o conflito entre Irã e Estados Unidos. "A Síria recuperou seu papel vital como elo indispensável no corredor comercial global, e queremos que a França seja nosso principal parceiro nessa jornada", declarou o líder islamista em um fórum econômico realizado com seu homólogo francês e representantes de ambos os países.
A viagem de Macron à Síria ocorre poucos dias após a morte de 10 pessoas em um atentado com bomba em um café no centro de Damasco. O país atravessa um frágil processo de pacificação após mais de 13 anos de guerra civil.