Lula costura alianças para o Senado em 2026

Presidente Lula em entrevista coletiva após o fim da Cúpula do G7 - © Ricardo Stuckert/PR
Presidente articula candidaturas no Ceará, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais às vésperas das convenções partidárias
Às vésperas do início das convenções partidárias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se dedica a resolver os últimos impasses com aliados que disputarão o Senado nas eleições de outubro. Com a maioria das chapas aos governos estaduais encaminhadas, o petista volta o foco às composições para a Casa Alta, considerada prioridade estratégica para o pleito de 2026, no qual 54 das 81 cadeiras serão renovadas — dois terços da composição total. A preocupação central de Lula é ampliar a base governista e evitar que a oposição conquiste maioria no Senado, garantindo governabilidade em um eventual quarto mandato. As negociações envolvem estados-chave como Ceará, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais.
Na terça-feira (14/7), Lula atuou para definir a candidatura à reeleição de Cid Gomes (PSB-CE) no Ceará. O senador resistia a concorrer a um novo mandato, mas aceitou a missão de reforçar o palanque do presidente no estado. Cid vai compor a chapa de reeleição do atual governador Elmano de Freitas (PT), com o deputado federal Júnior Mano (PSB) na suplência. O senador estará no lado oposto do irmão, o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que deve disputar o governo do Ceará com apoio do Partido Liberal, de Flávio Bolsonaro (PL). A segunda vaga ao Senado no palanque de Lula no estado segue em negociação.
Na quinta-feira (15/7), Lula se reuniu com a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS). Após o encontro, ela divulgou foto com o presidente e uma nota afirmando que Lula confirmou apoio à sua reeleição. Outro nome na disputa é o deputado Vander Loubet (PT), pré-candidato ao Senado pelo estado. Após a reunião, Soraya indicou que ela e Loubet formarão uma parceria. "Vander e eu continuaremos unidos, trabalhando pelo fortalecimento do campo democrático e pela eleição de parlamentares comprometidos com o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul e com a melhoria da vida da nossa população", disse a senadora.
Anteriormente, havia sido divulgado que Thronicke desistiria da candidatura para compor chapa como suplente do petista, o que causou desconforto na esquerda do estado. A senadora, no entanto, deu a entender que a situação foi contornada. "Recebi com muita honra o convite do amigo e pré-candidato Vander Loubert para compor uma chapa única ao Senado Federal, na condição de sua suplente. No entanto, após um amplo diálogo com as lideranças do PSB e com o nosso vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, homem honrado e de reconhecida experiência política, ficou definida a manutenção da minha pré-candidatura ao Senado Federal. Sigo nessa caminhada com o apoio do partido e a confiança de que estamos no caminho certo", afirmou Thronicke.
No estado, portanto, a chapa ligada a Lula terá dois candidatos às vagas no Senado. Para o Executivo estadual, o PT vai lançar candidatura com Fábio Trad (PT) ao governo e Gilda Maria (PT) como vice.
Em reunião na segunda-feira (13/7), o diretório estadual do PT em Goiás decidiu manter apoio à pré-candidatura ao governo do ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT). A decisão contraria a vontade de Lula, que defende que a deputada federal Adriana Accorsi (PT-GO) seja o nome do partido na disputa pelo governo. Accorsi, no entanto, resiste à proposta e, como presidente do diretório estadual, endossou o apoio a Bueno. Na semana passada, Lula recebeu Accorsi e a vereadora Aava Santiago (PSB-GO) para debater a formação do palanque em Goiás.
O presidente manifestou o desejo de ter as duas na chapa majoritária — Adriana no governo e Aava no Senado —, mas ambas sinalizaram que pretendem manter suas candidaturas à Câmara dos Deputados. De acordo com pesquisa Real Time Big Data, divulgada em 9 de julho, Bueno pontua apenas 5% na corrida eleitoral, ocupando o quarto lugar, o que levou Lula a buscar alternativas mais competitivas. A convenção estadual do PT está marcada para 4 de agosto.
O palanque que mais preocupava o Palácio do Planalto parece ter começado a encontrar solução. Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e carrega a máxima de que quem vence ali tende a conquistar a Presidência. Na quarta-feira, o coordenador nacional do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT, o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), informou que o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) será candidato ao governo do estado. O nome de Ananias surgiu após uma série de negativas, principalmente do senador Rodrigo Pacheco (PSB) e da ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado Marília Campos (PT), em meio à decisão do partido de apoiar uma candidatura própria.
O anúncio de Tatto, porém, causou desconforto dentro do diretório mineiro, com fontes reclamando que a presidente do PT Minas, a deputada estadual Leninha, não foi envolvida na decisão final. Oficialmente, o PT Minas não confirma a candidatura e aguarda reunião com Lula para bater o martelo. Patrus Ananias foi ministro do Desenvolvimento de Combate à Fome durante o governo Lula e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar durante a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Com as convenções se aproximando, Lula segue costurando alianças em estados estratégicos para consolidar um palanque competitivo no Senado e garantir base de apoio para 2026.