Governo cogita reciprocidade contra tarifas dos EUA

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Governo estuda resposta às sobretaxas americanas de até 37,5% sobre exportações brasileiras; ministro Durigan menciona possibilidade
O governo Lula estuda adotar medidas de reciprocidade econômica caso os Estados Unidos aumentem as tarifas sobre as exportações brasileiras em até 37,5%. O prazo para o anúncio de uma sobretaxa de 25%, resultado de uma investigação da seção 301 da Lei de Comércio americana sobre práticas consideradas injustas, vence nesta quarta-feira, 15 de julho. Uma segunda investigação, relacionada ao uso de trabalho forçado e que afeta o Brasil e outros 59 países, recomenda a imposição de uma sobretaxa adicional de 12,5%.
A possibilidade de reciprocidade foi reforçada por um experiente assessor presidencial com participação direta nas negociações. "A reciprocidade é uma alternativa porque a (decisão americana) é ideológica e não comercial. Não há proposta que os atenda", afirmou a fonte. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também mencionou a possibilidade publicamente: "Acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade", comentou. A Lei da Reciprocidade Econômica foi aprovada pelo Congresso brasileiro no ano passado e permite ao país responder a ações unilaterais de outras nações.
A decisão sobre sua aplicação cabe ao conselho do Gecex (Comitê Executivo de Gestão), órgão vinculado à Camex (Câmara de Comércio Exterior), composto pelos ministros da Fazenda, Indústria, Casa Civil, Planejamento e Relações Exteriores, entre outros. Trata-se, portanto, de uma decisão de natureza eminentemente política. Em nota oficial, o governo brasileiro informou que realizou ontem a quinta reunião com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, desde maio.
Representantes dos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e das Relações Exteriores destacaram que nenhuma das justificativas apresentadas pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) para a aplicação das tarifas se sustenta. Pelo contrário, segundo o governo, tais medidas dificultam o caminho para um acordo bilateral adequado entre os dois países.