Lula diz que estrangeiros que interferirem nas eleições "vão apanhar muito"

O presidente Lula na convenção do PT de São Paulo - Foto: Reprodução YouTube
Durante convenção de Haddad em SP, Lula rejeitou interferência estrangeira e negou visto a delegação dos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rejeitou publicamente qualquer tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras durante discurso na convenção que oficializou a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) ao governo de São Paulo.
O chefe do Planalto declarou que o Brasil é soberano e que quem tentar influenciar o processo eleitoral do país "vai apanhar muito".
"Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. Eu não sou de fazer bravata, eu não gosto de dizer o que eu não posso fazer, mas vou dizer para vocês uma coisa que eu trago do berço, uma coisa aprendida com uma mãe analfabeta: andar de cabeça erguida, ter vergonha e caráter que a gente não encontra no shopping, a gente não encontra no Mercado Livre. Caráter e vergonha você nasce de berço, aprende com o pai e a mãe", disse o petista.
Lula completou reforçando que são os brasileiros quem decidirão o destino do país. "Quem quiser, de fora, vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo, vão apanhar muito aqui nas eleições", ressaltou.
A declaração ocorre em meio à decisão do governo brasileiro de negar visto a uma delegação norte-americana que pretendia visitar o país para, segundo as autoridades, deslegitimar o sistema eleitoral a poucos meses do pleito de outubro.
A comitiva era formada por Riley M. Barnes, secretário de Estado adjunto para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) do Departamento de Estado norte-americano, e Samuel D. Samson, subsecretário adjunto do DRL.
Os dois viriam ao Brasil para discutir questões relacionadas à liberdade de expressão e ao processo eleitoral.
Chamou atenção das autoridades brasileiras o fato de a visita ocorrer na sequência das declarações do senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que questionaram o funcionamento das urnas eletrônicas com base em uma informação falsa.
Diante do receio de interferência, o Ministério das Relações Exteriores optou por negar a entrada dos oficiais norte-americanos no país.
Durante a convenção, Lula também destacou a trajetória de Haddad e dos aliados que compõem a chapa majoritária.
O presidente alertou ainda para os riscos do uso de inteligência artificial na campanha eleitoral.
"Os nossos adversários vão trabalhar muito, nas redes digitais, com inteligência artificial para inventar coisas que eles não fizeram, para inventar coisas que eles não são e para fazer promessas que eles jamais irão cumprir. Porque a base da sustentação da campanha deles é uma coisa chamada mentira. E a mentira só faz e só conta quem não tem biografia", afirmou.
Lula fez elogios ao pré-candidato a vice na chapa de Haddad, Márcio França (PSB), e às ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), que concorrerão ao Senado.
"Essa turma aqui, nenhum tem vergonha do que fez na vida. Aqui ninguém nasceu com miliciano, com o crime organizado. São pessoas que conquistaram o direito de andar com a cabeça erguida", declarou o presidente.
As falas de Lula reforçam a postura do governo federal diante de possíveis interferências externas no processo eleitoral brasileiro, ao mesmo tempo em que marcam o início oficial da campanha de Haddad ao governo de São Paulo.