Lula diz que o Brasil "não aceita desaforo" com tarifaço dos EUA

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - © Frame Canal GOV
Presidente afirma que o Brasil "não aceita desaforo" e estima impacto de US$ 7,4 bilhões nas exportações ao mercado americano
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se pronunciou sobre o novo "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Durante evento realizado no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (17/7), Lula afirmou que aguarda um posicionamento de Donald Trump sobre o assunto, mas deixou claro que o Brasil "não aceita desaforo" de nenhum outro país. "Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Enquanto ele não falar, eu não falarei porque vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira", declarou o presidente.
Ao final do mesmo evento, Lula retomou o tema do respeito ao Brasil no cenário internacional. "Esse país precisa estar de cabeça erguida porque não aceitamos que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil. Nós queremos respeito, da mesma forma que vamos respeitar todo mundo", afirmou. O governo Lula rejeita os argumentos apresentados pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) e avalia que não há justificativa para a aplicação das sanções econômicas. O Planalto enxerga motivação política por trás da imposição das tarifas.
Segundo estimativas do governo, a taxa vai impactar cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos EUA, o que representa aproximadamente US$ 7,4 bilhões. Entre os produtos afetados estão etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, açúcar, papel e diversos itens do setor químico. Outros cerca de 2 mil produtos ficaram de fora da decisão norte-americana. Como resposta ao anúncio do tarifaço, a gestão petista informou que vai reforçar o Plano Brasil Soberano, criado para apoiar empresas atingidas pelas tarifas. Além disso, o governo avalia, com cautela, a adoção da Lei de Reciprocidade. Auxiliares de Lula estudam formas de implementar a medida sem gerar impactos negativos na economia brasileira.