Lindbergh critica Flávio por questionar urnas

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Vice-líder do governo compara discurso de Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas ao roteiro que tornou Jair Bolsonaro inelegível
O vice-líder do governo no Congresso Nacional, Lindbergh Farias (PT-RJ), comparou, na terça-feira (21/7), a fala do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas com o processo que levou à inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para Lindbergh, o senador repete um roteiro já conhecido ao semear desconfiança sobre o sistema eleitoral brasileiro diante de diplomatas estrangeiros. Em publicação no X, Lindbergh afirmou que quem começa a "questionar" as eleições antes da votação já demonstra medo da derrota.
Segundo ele, "Flávio sabe que não consegue vencer o presidente Lula e tenta preparar antecipadamente uma narrativa para contestar o resultado". O parlamentar também criticou o teor do discurso do senador, afirmando que ele "tenta transformar o Brasil na Venezuela". Ainda assim, Lindbergh declarou que não pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "É assim que se tenta transformar o Brasil na Venezuela: enfraquecendo as instituições, desacreditando as eleições e criando uma ruptura contra a vontade popular. Não vamos acionar o TSE. Flávio, aqui fica o meu recado: queremos você nas urnas para o presidente Lula derrotá-lo no primeiro turno", afirmou Lindbergh. O episódio teve origem em um evento com diplomatas realizado na terça-feira (22/7), em Brasília, no qual Flávio Bolsonaro questionou a efetividade das urnas eletrônicas e apresentou informações já desmentidas pelo TSE em anos anteriores.
O senador afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic, supostamente envolvida em um plano de fraude nas eleições da Venezuela em 2012, conforme relatório da Agência Central de Inteligência (CIA), dos Estados Unidos, divulgado nesta semana. Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro tentou moderar o tom de sua fala: "O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e [sobre] como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes", expôs.
Após a repercussão do vídeo em que levanta suspeitas sobre a integridade das urnas eletrônicas, Flávio Bolsonaro negou, por meio de nota, ter questionado a integridade do sistema eleitoral brasileiro, no qual afirma ter "integral confiança". "Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que "não está questionando o sistema de votação brasileiro" e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional", diz trecho da nota.
O senador, no entanto, não explicou no comunicado a relação que estabeleceu entre as urnas brasileiras e as contestadas na Venezuela. O TSE desmentiu que utiliza urnas eletrônicas da empresa venezuelana Smartmatic. Em nota publicada originalmente em 2020 e atualizada em 8 de julho de 2026, o tribunal esclareceu que as urnas não são fornecidas pela empresa. "São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país", diz o texto.