Ataques a navios elevam tensão no golfo durante luto pela morte de Khamenei

Foto: wikimedia Commons
Enquanto iranianos prometem vingança no funeral de Khamenei, dois navios-tanque são atingidos no Estreito de Ormuz
Dois navios-tanque foram atingidos no Estreito de Ormuz enquanto milhões de iranianos participavam dos funerais do líder supremo assassinado, o aiatolá Ali Khamenei. O Irã declarou que não retomará negociações de paz enquanto Donald Trump continuar fazendo ameaças de guerra, elevando ainda mais a tensão na região.
O navio-tanque de gás natural liquefeito do Catar, Al Rekayyat, informou ter sido atingido durante a madrugada, com sua sala de máquinas em chamas. Fontes de segurança marítima também confirmaram que um navio-tanque de petróleo bruto saudita foi danificado no mesmo estreito.
"Aqui é o navio Al Rekayyat, o navio de GNL Al Rekayyat. Estamos sendo atingidos por um drone no lado de bombordo, na parte superior da sala de máquinas", disse o capitão do Al Rekayyat em uma comunicação de rádio gravada e analisada pela Reuters. "Situação: incêndio na sala de máquinas e ambiente cheio de fumaça. Não é possível avaliar outros danos."
O capitão informou que a tripulação estava segura, mas que o navio havia ficado incapacitado, sem motores nem direção, pedindo auxílio a quaisquer embarcações na área.
Nenhum grupo reivindicou responsabilidade pelos ataques. O site de notícias Axios informou que o Irã havia disparado contra os dois navios, mas nem Washington nem Teerã comentaram diretamente sobre os incidentes.
Os ataques foram os primeiros registrados no estreito desde o início do período de luto pelo líder supremo do Irã, na semana passada. Os episódios reforçam que a questão da navegação no Golfo Pérsico permanece sem solução mais de quatro meses após EUA e Israel lançarem uma guerra que, segundo eles, impediria o Irã de ameaçar seus vizinhos.
Centenas de milhares saem às ruas em Qom
Os governantes clericais do Irã têm exercido um controle renovado sobre a rota de transporte de energia mais importante do mundo, onde pretendem instalar um sistema permanente de cobrança de taxas — o que representaria uma enorme mudança no equilíbrio de poder em uma região onde Washington atua como garantidor da segurança há gerações.
A liderança iraniana demonstrou seu firme controle sobre o país durante uma semana de luto por Khamenei, que foi morto junto com sua filha, neta, genro e nora no primeiro dia da guerra.
Os caixões do líder assassinado e de sua família foram levados pelas ruas da cidade-seminário de Qom na terça-feira, onde centenas de milhares de pessoas empunhavam bandeiras e faixas comparando Khamenei a mártires cujas mortes são fundamentais para a seita xiita. Em cânticos, os presentes prometeram vingar Khamenei. Alguns exibiam cartazes e faixas com os dizeres "Matem Trump".
Um enorme cortejo fúnebre semelhante havia sido realizado nas ruas de Teerã na segunda-feira, após eventos de oração mais solenes iniciados na sexta-feira anterior, que atraíram figuras de destaque da liderança iraniana e dignitários do exterior.
As autoridades informaram que o corpo de Khamenei será levado para cidades sagradas xiitas no vizinho Iraque, depois trazido de volta ao Irã e sepultado em um santuário medieval.