Keiko Fujimori é eleita oficialmente presidente do Peru

Candidata de direita Keiko Fujimori
Após três derrotas consecutivas, Keiko Fujimori vence Roberto Sánchez com 50,13% dos votos e chega à presidência do Peru
Keiko Fujimori alcança vantagem irreversível nas eleições presidenciais do Peru e está prestes a assumir a liderança da Casa de Pizarro, sede do Executivo peruano. A vitória encerra um longo ciclo de três derrotas consecutivas e coroa mais de 15 anos de tentativas de chegar ao principal cargo do país. Filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1938-2024), Keiko Fujimori é uma figura central da política peruana há mais de duas décadas. Herdeira de um sobrenome que continua dividindo profundamente o país andino, ela venceu Roberto Sánchez por uma margem estreita, segundo a apuração do Júri Nacional de Eleições (JNE): 50,135% a 49,865%.
Aos 51 anos, Keiko Fujimori está na política desde a adolescência. Formada em administração de empresas nos Estados Unidos, foi eleita para o Congresso em 2006 com a maior votação já registrada para um parlamentar peruano. Candidata derrotada em três eleições presidenciais — em 2011, 2016 e 2021 —, ela parecia condenada a permanecer como a eterna segunda colocada. A trajetória de Keiko Fujimori também é marcada por episódios turbulentos.
A candidata passou anos sob investigação por suposto financiamento irregular de campanha, caso arquivado no ano passado. Entre 2018 e 2020, foi mantida duas vezes em prisão preventiva e passou quase um ano e meio na cadeia, investigada por suposta lavagem de dinheiro no escândalo de corrupção da Odebrecht, no âmbito da operação Lava-Jato.
Na campanha, Keiko Fujimori se apresentou como a candidata mais capaz de restaurar a ordem e a estabilidade no Peru, explorando o contexto de violência vivido pelo país, marcado pelo aumento dos homicídios e das extorsões. A preocupação dos eleitores com a segurança criou uma espécie de nostalgia pelo estilo de governo de Alberto Fujimori, que na década de 1990 derrotou guerrilheiros do grupo Sendero Luminoso com apoio das Forças Armadas.
Nessa onda, Keiko promete medidas de segurança rígidas, leis antiterroristas mais duras e um papel ampliado para os militares no combate à violência. Ela afirma que travará uma "guerra frontal" contra o crime. A filha do ex-presidente prometeu ainda mobilizar militares para uma "guerra" contra os grupos dedicados à extorsão e expulsar migrantes que cometem crimes. "Vou assumir a liderança para combater os criminosos", afirmou recentemente.
O discurso mais duro e o alinhamento a algumas ideias do pai foram vistos como o surgimento de uma "nova Keiko". Ainda assim, o partido faz questão de diferenciá-la de Fujimori, apresentando-a como uma candidata mais democrática. A nova estratégia ajudou Keiko a reduzir os altos índices de rejeição que marcaram as campanhas anteriores. Segundo o Ipsos Peru, 40% dos eleitores afirmaram antes do segundo turno que não votariam nela de jeito nenhum — índice menor que o registrado no primeiro turno, quando chegou a 59%. Uma de suas primeiras tarefas será consolidar uma base sólida no Legislativo. O Força Popular, partido de Keiko Fujimori, somou 22 senadores e 45 deputados. Levando em conta outros partidos, as forças da direita somam 30 cadeiras no Senado e 63 na Câmara dos Deputados.