Joaquim Barbosa é cogitado como vice de Zema

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa • Anderson Pinheiro/Agência O Dia/Estadão Conteúdo - 2015
Ex-governador de Minas Gerais afirma admirar o ex-ministro do STF e revela que o Novo considera Joaquim Barbosa para compor a chapa presidencial
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo, revelou neste sábado que seu partido "tem cogitado" o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa como possível vice em sua chapa. Zema destacou a admiração que nutre pelo jurista e afirmou ter a intenção de se reunir pessoalmente com ele em uma próxima visita ao Rio de Janeiro. — Já comentei com o ministro Joaquim Barbosa que, indo ao Rio de Janeiro, quero, sim, ter um encontro com ele. É um mineiro do norte de Minas que fez um belíssimo e reconhecido trabalho combatendo a corrupção. E nós temos aí diversas conversas. É uma pessoa que eu admiro muito e que o partido tem cogitado (para a vice) — disse Zema, em declaração a jornalistas durante agenda no Rio Grande do Sul. Joaquim Barbosa se filiou ao Democracia Cristã (DC) em maio e, desde então, passou a ser cotado para disputar a Presidência pelo partido. Na última pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês, com margem de erro de dois pontos percentuais, ele aparecia com 1% das intenções de voto.
Diante da dificuldade de fechar alianças, obter recursos e estruturar uma campanha nacional, Barbosa desistiu, há duas semanas, de concorrer ao Palácio do Planalto. A desistência foi antecipada pela "Folha de S. Paulo", embora o jurista ainda não tenha comunicado sua decisão oficialmente. — Ele não comunicou que iria desistir. Desde que se filiou ao partido, disse que seguiria com a candidatura com a seguinte ressalva: "Preciso da mínima estrutura para seguir. Uma coligação, um possível apoio logístico" — disse João Caldas, presidente do DC, ao jornal Valor Econômico. Não é a primeira vez que Joaquim Barbosa demonstra interesse em disputar a Presidência. Em 2018, ele chegou a se filiar ao PSB com o mesmo objetivo, mas acabou não emplacando a candidatura.
Os partidos têm até 5 de agosto para realizar suas convenções e deliberar sobre coligações e escolha de candidatos. Outros nomes também foram ventilados para a vice na chapa de Zema. O empresário Geraldo Rufino, que chegou a ser considerado para o posto, decidiu se lançar candidato ao Senado por São Paulo pelo Podemos, em decisão anunciada no domingo (19). No mesmo final de semana, Zema também citou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como uma opção, mas recuou e negou ter feito qualquer convite a ela. Publicamente, Michelle foi categórica ao descartar a possibilidade. "Estou filiada ao PL. Um mesmo partido não pode ter duas cabeças de chapa concorrendo em coligações distintas para os mesmos cargos majoritários. Portanto, não há nenhuma possibilidade de isso acontecer. Neste momento, continuo priorizando os cuidados com o meu marido", disse Michelle, nas redes sociais.
O Novo oficializa nesta segunda-feira a candidatura de Zema à Presidência em convenção nacional marcada para as 11h30, em Brasília, com a presença do presidente do partido, Eduardo Ribeiro. Após meses de esforços na construção de alianças com setores como o agronegócio, o empresariado e lideranças evangélicas, a campanha aposta que a largada oficial permitirá ao presidenciável ampliar seu reconhecimento junto ao eleitorado nacional. Hoje, Zema ainda é pouco conhecido em comparação com adversários como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A expectativa é que o horário eleitoral gratuito, os debates e o aumento da exposição do candidato contribuam para apresentá-lo a eleitores que ainda conhecem pouco sua trajetória.