Irã promete reação e ameaça destruir infraestrutura da região se Trump atacar

Bandeira do Irã hasteada próximo a esforços militares
Porta-voz militar iraniano avisa que resposta a ataques dos EUA será "superior", enquanto bloqueio naval é retomado no Estreito de Ormuz
Um porta-voz militar iraniano declarou, nesta quinta-feira (16), que o Irã destruirá "toda a infraestrutura em toda a região" caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, leve adiante suas ameaças de atacar instalações iranianas. A declaração eleva o tom das tensões entre os dois países, que já vivem um período de confronto direto.
Trump alertou que os EUA atacariam pontes e usinas de energia no Irã na próxima semana, condicionando a suspensão das ameaças ao retorno de Teerã à mesa de negociações. "Vou deixar os alvos do setor de energia por último, mas, no final das contas, vamos atacar alvos de energia", disse Trump em entrevista à Fox News na terça-feira (14). O presidente americano foi além: "Na próxima semana virão as usinas de energia, na próxima semana virão as pontes", acrescentando que isso ocorreria "a menos que eles venham à mesa e negociem".
Em resposta, Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do comando central das forças armadas iranianas, afirmou em declaração divulgada pela emissora estatal IRIB que a reação do Irã "não será apenas proporcional; será superior". Segundo ele, a infraestrutura da região "será esmagada" de tal forma que "não restará nenhum vestígio dela". "Os ataques serão mais severos, mais extensos e mais destrutivos do que nunca", completou Zolfaghari.
O porta-voz também deixou claro que o Irã não permitirá, "sob nenhuma circunstância", que os EUA "interfiram" no Estreito de Ormuz. "Essa é uma linha vermelha inegociável do Irã", afirmou, ressaltando que o estreito será completamente fechado caso seja atacado. Vale lembrar que as Convenções de Genebra de 1949, que regulam a conduta humanitária em conflitos armados, proíbem ataques a locais considerados essenciais para a população civil.
Apesar do tom belicoso, Trump sinalizou que mantém a porta aberta para o diálogo. Segundo o presidente americano, negociadores dos EUA já entraram em contato com seus homólogos iranianos para dizer-lhes que "é melhor fecharem um acordo". Na mesma entrevista, porém, Trump afirmou que os ataques ao Irã continuarão até ele dizer que "já chega", acrescentando que não restará "ninguém" no país caso isso não aconteça.
O bloqueio naval imposto pelos militares dos EUA a navios que trafegam de e para portos iranianos foi retomado na terça-feira (14), às 17h (horário de Brasília), conforme anúncio do CENTCOM (Comando Central dos EUA). Em publicação na rede social X, o CENTCOM informou que mais de 20 navios de guerra da Marinha americana e "centenas de aeronaves militares operam em todo o Oriente Médio". A medida foi restabelecida um dia após Trump afirmar que os EUA atuariam como "guardiões" do Estreito de Ormuz.
Minutos antes de o bloqueio entrar em vigor, o Comando Central reafirmou o prazo em nova publicação no X, informando que os EUA realizavam novos ataques contra capacidades iranianas nas imediações do estreito. "Os ataques ocorrem enquanto as forças americanas se preparam para retomar o bloqueio naval contra portos e áreas costeiras do Irã", dizia o comunicado.
Em relação às cobranças sobre o tráfego comercial no estreito, Trump recuou de uma posição anterior. Na segunda-feira (13), ele havia dito que os EUA cobrariam das empresas de transporte 20% do valor de suas cargas como reembolso por "garantir a segurança e a proteção" na região. Na terça-feira, no entanto, mudou de posição, afirmando que as nações do Golfo realizariam "acordos comerciais e de investimento... com os Estados Unidos".
Os EUA já haviam imposto um bloqueio semelhante aos portos iranianos anteriormente durante a guerra, por cerca de dois meses — entre abril e junho —, abrangendo uma área que se estendia do Oriente Médio até o Oceano Índico.