IPCA tem maior alta semestral desde 2022

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Tomate, pepino, cenoura e batata-inglesa subiram até 155% no semestre, impulsionando o IPCA para 3,36% no primeiro semestre de 2025.
Os preços do tomate, pepino, cenoura e batata-inglesa dispararam até 155% entre janeiro e junho deste ano, liderando os reajustes que empurraram o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para a maior variação semestral desde 2022. Os dados foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e revelam um cenário de pressão inflacionária concentrada nos alimentos básicos da mesa do brasileiro. O IPCA registrou alta de 0,16% em junho, encerrando o primeiro semestre com variação acumulada de 3,36% — o índice não superava os 3% desde 2022.
Além disso, nos últimos 12 meses, a inflação avançou 4,64%, mantendo o índice acima da margem de tolerância da meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), que é de 3%, com intervalo entre 1,5% e 4,5%. Entre os produtos que mais pesaram no bolso do consumidor, cenoura e batata-inglesa registraram as maiores altas para o período desde a instauração do Plano Real, em 1994. O feijão carioca também sentiu forte pressão, com reajuste de 52,8% no semestre, enquanto legumes e raízes em geral subiram 67,7% no mesmo intervalo.
As condições climáticas desfavoráveis ao longo do ano foram apontadas como o principal fator por trás dos aumentos expressivos. Humberto Aillon, professor da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), destacou que as mudanças climáticas têm papel decisivo na formação dos preços desses produtos. "Como são produtos perecíveis e de ciclo curto, é difícil que eles sejam estocados por mais de uma ou duas temporadas", afirma. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, reforça essa visão: "Eventos climáticos adversos reduziram a produtividade, comprometeram a oferta e elevaram significativamente os preços." Além do clima, os efeitos da guerra no Oriente Médio também contribuíram para o encarecimento dos alimentos. O fechamento do Estreito de Hormuz, rota responsável por 20% do tráfego mundial de petróleo, elevou o custo dos combustíveis e impactou diretamente a cadeia produtiva. Segundo Aillon, "O custo dos fertilizantes, defensivos e frete acabou sendo impactado pela pressão na cadeia de petróleo."
Com o IPCA acumulado nos últimos 12 meses em 4,64%, o índice permanece acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo CMN. O cenário reflete a combinação de fatores climáticos, geopolíticos e de custos de produção que pressionaram especialmente os alimentos perecíveis ao longo do primeiro semestre de 2025.