Inflação recua para 0,16% em junho

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Alimentos e combustíveis ajudam a conter pressão da energia elétrica no IPCA de junho, que desacelerou para 0,16%, segundo o IBGE.
A queda nos preços de alimentos (-0,24%) e de combustíveis (-0,48%) em junho ajudou a conter a pressão da energia elétrica sobre o IPCA, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. A explicação foi dada pelo gerente do IPCA no IBGE, Fernando Gonçalves, durante coletiva à imprensa realizada nesta sexta-feira, 10. O IPCA encerrou junho com alta de 0,16%, após avanço de 0,58% em maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma desaceleração de 0,42 ponto porcentual em relação ao mês anterior.
O grupo Alimentação e bebidas, que representa 21,75% do IPCA, foi o único a registrar variação negativa em junho (-0,24%) e teve o maior impacto de baixa no índice (-0,05 ponto porcentual). "A queda de Alimentação e bebidas pode refletir uma combinação de fatores, com o alívio vindo dos combustíveis, que já vêm em trajetória de redução e ajudam a diminuir custos ao consumidor final, uma possível devolução de altas anteriores e, sobretudo, maior oferta de alguns itens, como café como exemplo, com expectativa de safra melhor pressionando preços para baixo", afirmou Gonçalves.
O gerente do IBGE destacou ainda que o resultado do grupo alimentação foi o menor para meses de junho desde 2023. No entanto, alguns produtos seguiram em alta no período, como batata, alho e feijão carioca, evidenciando um comportamento heterogêneo dentro do grupo. No campo oposto, o grupo Habitação registrou a maior alta do mês (0,63%) e o maior impacto positivo sobre o índice (0,10 ponto porcentual), influenciado pelo comportamento da energia elétrica residencial. A variação desse item recuou de 3,67% para 1,53%, mas ainda figurou como o principal impacto individual no resultado de junho (0,06 p.p.).
No recorte regional, o Rio de Janeiro registrou a maior variação individual, de 5,61%, em razão do retorno da vigência do reajuste de 15,10% sobre as tarifas em uma das concessionárias locais. A difusão do IPCA também arrefeceu no período: a proporção de subitens com aumento de preços caiu de 65% em maio (245 subitens) para 54% em junho (202 subitens), com redução tanto entre itens alimentícios quanto não alimentícios, reforçando o quadro de desaceleração da inflação no mês. Nos índices regionais, Brasília apresentou a maior variação no mês (0,52%), influenciada por itens como passagem aérea e gasolina.
No outro extremo, Recife registrou queda de 0,20%, pressionada pelo recuo de produtos como tomate e gasolina, entre outros fatores. Com o resultado de junho, a inflação acumulada no ano chegou a 3,36%. Já o IPCA acumulado em 12 meses até junho ficou em 4,64%, abaixo dos 4,72% registrados até maio. Vale lembrar que, em junho de 2025, o índice havia registrado variação de 0,24%, o que contribuiu para a desaceleração do acumulado em 12 meses na passagem de maio para junho.