IPCA abaixo do esperado derruba taxas dos DIs

Ibovespa | Foto: Ibovespa/Reprodução
O IPCA subiu apenas 0,16% em junho, abaixo da projeção de 0,31%, aumentando as apostas em corte da Selic em agosto pelo Copom
As taxas dos DIs operavam com quedas expressivas na manhã desta sexta-feira, 10 de julho, após a divulgação do índice oficial de inflação do Brasil referente ao mês de junho. O IPCA ficou abaixo do esperado pelos analistas, reforçando a perspectiva de um novo corte da taxa básica Selic na reunião do Copom em agosto. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA subiu 0,16% em junho, resultado inferior à taxa de 0,58% registrada em maio e bem abaixo da projeção de 0,31% dos analistas.
No acumulado de 12 meses até junho, a inflação ficou em 4,64%, também abaixo dos 4,80% projetados pelo mercado. Às 9h34, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,855%, com queda de 19 pontos-base em relação ao ajuste de 14,04% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,28%, recuando 15 pontos-base ante o ajuste de 14,431% do pregão anterior.
O desempenho do IPCA abaixo do esperado fortalece a avaliação de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deverá promover mais um corte de 25 pontos-base na Selic no início de agosto, movimento que já vinha sendo precificado pelo mercado financeiro. "Sem dúvida, o número (do IPCA) reforça a percepção de que o Copom seguirá cortando a Selic. Em agosto nos parece certo", avaliou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em relatório. "A dinâmica dos preços dos alimentos e do petróleo determinarão a expansão do ciclo de corte."
Na última quarta-feira, a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 72% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, contra 26,9% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,25%. O cenário mudou consideravelmente em relação a três semanas antes, em 17 de junho, quando o quadro era inverso: 27,5% de probabilidade para corte de 25 pontos-base e 67% para manutenção. O recuo das taxas dos DIs no Brasil ocorreu na contramão do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries oscilavam entre a estabilidade e leves ganhos.
O petróleo Brent também mostrava certa estabilidade, na faixa dos US$ 76 o barril, ainda que o cenário da guerra no Oriente Médio permanecesse incerto. Dados de rastreamento indicaram que navios-tanque de gás natural liquefeito passaram pelo Estreito de Ormuz nos últimos dias, enquanto 22 embarcações ligadas ao Japão deixaram o Golfo Pérsico desde terça-feira, mas o tráfego diário geral diminuiu à medida que as tensões entre EUA e Irã se intensificaram. O resultado do IPCA de junho consolida, portanto, um ambiente mais favorável para a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário no Brasil, com o mercado financeiro aguardando a decisão do Copom em agosto com expectativas majoritariamente voltadas para um novo corte na Selic.