Inflação reforça apostas em corte da Selic em agosto

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Resultado do IPCA em junho surpreende mercado e reforça apostas em corte da Selic em agosto, enquanto dólar recua no exterior
O real opera com ganhos moderados nesta sexta-feira, 10, impulsionado pela queda do dólar frente a moedas fortes e a grande parte das divisas emergentes ligadas a commodities. O cenário é complementado pela volatilidade do petróleo, que voltou a subir após perder força brevemente, e pelo alívio nos juros futuros, que refletem o recuo dos rendimentos dos Treasuries e o resultado do IPCA abaixo das expectativas do mercado.
O IPCA registrou alta de 0,16% em junho, desacelerando em relação ao avanço de 0,58% registrado em maio, conforme divulgou o IBGE. O resultado surpreendeu negativamente o mercado, ficando abaixo do piso das estimativas, que variavam entre 0,26% e 0,37%, e da mediana projetada de 0,31%. No acumulado de 12 meses, o índice recuou de 4,72% para 4,64%, enquanto a inflação no ano chegou a 3,36%. O desempenho do IPCA reforça as apostas de um corte da Selic na reunião de agosto do Banco Central. No cenário externo, a diminuição dos temores de uma escalada mais ampla das tensões no Oriente Médio contribuiu para reduzir a demanda por ativos de proteção.
Os Estados Unidos e o Irã retomaram contatos diplomáticos mediados pelo Catar, embora ambos os países mantenham a retórica de confronto, segundo o "The New York Times". O jornal ressalta que ainda não está claro se os novos esforços diplomáticos serão suficientes para impedir um novo ciclo de confrontos. No campo comercial, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos concluiu que importações de aeronaves, motores e peças representam riscos à segurança nacional, mas recomendou não impor novas tarifas, de acordo com a "Reuters".
Já a Comissão Europeia chegou à conclusão preliminar de que a Meta violou a Lei de Serviços Digitais ao adotar recursos considerados viciantes no Instagram e no Facebook. O conjunto de fatores — IPCA benigno, dólar mais fraco e redução das tensões geopolíticas — contribui para um ambiente de alívio nos mercados financeiros brasileiros nesta sessão, com destaque para o comportamento dos juros futuros e do câmbio.