Infantino não será investigado pelo COI por interferência na Copa

Foto: Potus/Reprodução
COI encerra investigação contra Infantino por suposta interferência política na Copa do Mundo de 2026, citando falta de jurisdição sobre a FIFA
O Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu não dar seguimento às investigações contra o presidente da FIFA, Gianni Infantino, relacionadas à suposta interferência política durante a Copa do Mundo de 2026. A decisão foi anunciada nesta semana e encerra uma série de denúncias apresentadas pela organização de direitos humanos FairSquare. Em comunicado divulgado na última sexta-feira (24/7), o COI afirmou que o caso envolve exclusivamente decisões internas da FIFA sobre governança, gestão e aplicação de regras esportivas, temas que não estão sob a competência do Código de Ética da entidade. "A presente denúncia, referente ao presidente da FIFA, diz respeito apenas às decisões da federação internacional sobre sua governança e gestão, incluindo suas relações com o governo, e à implementação das regras do esporte pela federação, ambas fora do escopo de aplicação do código de ética do COI", informou o Comitê Olímpico Internacional.
O episódio que originou as denúncias ocorreu durante a Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. A FairSquare apresentou uma queixa sobre a decisão da FIFA de cancelar a suspensão do atacante Folarin Balogun, da seleção dos Estados Unidos. O jogador havia sido expulso após pisar no tornozelo de Tarik Muharemovic, da Bósnia-Herzegovina, e deveria cumprir suspensão automática no confronto contra a Bélgica.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter conversado diretamente com Infantino para pedir a revisão da punição do atleta estadunidense. "Conversei com Gianni. Vi o lance, e sou uma pessoa que adora esportes e entende muito bem de esportes, e aquilo não foi falta", declarou o presidente norte-americano. Infantino confirmou ter recebido a ligação, mas negou qualquer participação na decisão disciplinar. "Sim, discuto regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo da FIFA com o Presidente dos Estados Unidos e, sobre este assunto, recebi uma ligação do Presidente Donald Trump, assim como recebo ligações de chefes de Estado, autoridades governamentais, representantes do futebol e executivos de empresas de todo o mundo sobre diversos assuntos", declarou Infantino.
O dirigente ainda acrescentou que respeita a autonomia dos órgãos disciplinares da FIFA. "Eu leio as decisões do Comitê Disciplinar da FIFA quando são divulgadas. Às vezes, fico surpreso com elas. Às vezes, concordo com elas, e às vezes discordo. O que sempre faço, no entanto, é respeitar essas decisões e a autonomia dos órgãos que as tomam. Se gostamos ou não de uma decisão é irrelevante." Para a FairSquare, uma eventual interferência de Infantino representaria violação do princípio de neutralidade previsto na Carta Olímpica. O documento estabelece que membros do COI não podem receber instruções de governos ou organizações que interfiram na liberdade de suas decisões. Mesmo assim, o Comitê concluiu que o episódio ocorreu no âmbito da FIFA e, por isso, cabe exclusivamente à entidade tratar do caso.
Apesar da decisão do COI de não dar seguimento às investigações, a Federação Norueguesa de Futebol estuda apresentar uma denúncia formal ao Comitê de Ética da FIFA. "É apropriado incluir o caso Balogun na investigação ao Comitê de Ética da FIFA que fizemos antes da Copa do Mundo, referente ao chamado Prêmio da Paz da FIFA, concedido durante o sorteio em Washington, antes do Natal do ano passado", afirmou a presidente da entidade, Lise Klaveness, em comunicado divulgado pela BBC.
Além disso, 50 deputados do Parlamento Europeu apoiaram a denúncia apresentada pela FairSquare, questionando a neutralidade política de Infantino e sua proximidade com Trump. No documento, os parlamentares afirmam que a FIFA deve responder às acusações e demonstrar compromisso com "os valores fundamentais de justiça, igualdade e respeito pela dignidade humana", além de reforçar sua neutralidade política, transparência e responsabilidade. O COI, por sua vez, reafirmou que continuará seus esforços para fortalecer a boa governança em todo o Movimento Olímpico e para promover maior clareza em relação aos respectivos papéis, responsabilidades e prestação de contas de suas organizações constituintes, independentemente do desfecho desta denúncia específica.