Ibovespa sobe com alívio nas projeções de juros

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Dólar recua a R$ 5,18 e Ibovespa avança 0,37%, impulsionados por dados fracos do mercado de trabalho americano e acordo EUA-Israel
O dólar opera em queda frente ao real nesta sexta-feira (3/7), cotado a R$ 5,18, recuo de 0,44%. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), iniciou o pregão em alta e, às 10h30, subia 0,37%, aos 173,4 mil pontos. O movimento ocorre em uma sessão considerada morna para os mercados de câmbio e ações, já que o feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos, celebrado em 4 de julho, foi antecipado para esta sexta-feira, reduzindo a liquidez nos pregões domésticos. No cenário externo, dois fatores contribuem para o alívio nos mercados.
A guerra entre Estados Unidos e Israel deixou de ser um vetor decisivo para os investimentos após os dois países firmarem um acordo provisório, ainda que sujeito a turbulências. Além disso, dados mais fracos do mercado de trabalho americano reduziram as projeções de uma nova alta de juros nos Estados Unidos, embora a política monetária americana deva continuar restritiva. No Brasil, os investidores acompanharam a divulgação dos dados da produção industrial, que registrou queda de 0,2% em maio. O número veio abaixo da expectativa do mercado, que projetava crescimento de 0,2%, e representou a primeira retração do ano na comparação mensal, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento do indicador. Contrariando as expectativas para o período, os segmentos voltados para o mercado externo apresentaram comportamento majoritariamente negativo.
Os destaques negativos ficaram com derivados de petróleo e biocombustível (-6,1%), indústria extrativa (-4,0%) e produtos de madeira (-0,6%), cujas taxas de retração estiveram entre as piores da pesquisa divulgada. Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, o desempenho fraco no período pode ser atribuído a uma potencial correção estatística frente ao forte crescimento do mês anterior, tendo em vista que o cenário internacional ainda se mostrava favorável para essa classe específica de produção, especialmente no caso do petróleo.
Na avaliação de Vitor Kayo, da Nomad, o resultado abaixo do esperado sugere um fôlego mais fraco da indústria depois de um início de ano mais aquecido. "Mas ainda é cedo para caracterizar o movimento como uma mudança de trajetória, já que o setor vinha de uma sequência positiva relevante e alguns dos recuos, como o de derivados de petróleo, refletem em parte a reversão de uma alta acumulada nos meses anteriores", diz o analista. "Ainda assim, o resultado não muda o quadro geral de uma atividade econômica que segue resiliente, sustentada por estímulos fiscais e creditícios em ano eleitoral, o que reforça a cautela do Banco Central em relação ao processo de desinflação."