Haaland diz estar "exausto" antes de Brasil x Noruega

Foto: Fifa/Reprodução
Haaland admitiu estar "exausto" após jogo contra a Costa do Marfim, e especialistas debatem a recuperação física antes do duelo com o Brasil
Enquanto a Noruega se prepara para enfrentar o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo neste domingo, o gerenciamento do cansaço dos jogadores tornou-se uma questão central para a equipe escandinava. O artilheiro Haaland marcou o gol decisivo aos 41 minutos do segundo tempo na vitória norueguesa por 2 x 1 contra a Costa do Marfim, mas admitiu após a partida que estava "exausto" e que não teria conseguido jogar a prorrogação. Tanto Haaland quanto o capitão Martin Odegaard, que vêm de temporadas longas e intensas por seus clubes, foram poupados na última partida da fase de grupos da Noruega contra a França, que terminou em derrota por 4 x 1.
Ainda assim, o técnico Stale Solbakken reconheceu que Haaland estava "no limite" já no início do segundo tempo contra os marfinenses, o que acendeu um sinal de alerta entre os torcedores noruegueses antes do confronto com o Brasil. Para entender o impacto físico sobre os atletas, Dom Rae, especialista formado em medicina do esporte e do exercício físico que trabalha com o Al Nasr dos Emirados Árabes Unidos, foi consultado.
Segundo ele, a fadiga acumulada ao longo do torneio e das últimas temporadas não pode ser revertida em poucos dias. "É possível reverter o estresse crônico que se acumulou ao longo do torneio, ou nas últimas uma ou duas temporadas? Não", afirmou Rae. "Esses jogadores, especialmente os principais, disputaram muitas partidas. Eles estão com fadiga crônica. Não dá para reverter isso em cinco dias. Mas certamente é possível recuperar um nível significativo de energia até o início da partida." Brasil e Noruega enfrentaram desafios semelhantes em razão da programação de viagens e do clima nas cidades-sede da Copa.
O Brasil tem um intervalo de seis dias antes da próxima partida, enquanto a Noruega dispõe de cinco. Para Rae, esse detalhe pode ser relevante. "O que geralmente observamos no desempenho esportivo é que o pico de fadiga ocorre por volta das 48 horas", explicou. "Para alguns, isso pode se estender até 72 horas. Mas, com 96 horas, no quinto dia, todos já estão praticamente de volta ao normal."
Surpreendentemente, o especialista considera que a Noruega pode estar em vantagem nesse aspecto. "Na verdade, eu prefiro o intervalo da Noruega aqui do que o do Brasil", disse ele. "Quando você tem apenas três ou quatro dias, é simples: descansar, se recuperar, se preparar, jogar. Mas quando você tem cinco ou seis dias, a coisa fica complicada. Não dá para treinar muito forte porque a partida está muito próxima, mas é tempo demais para ficar sem fazer nada." Após a partida da fase de grupos contra o Iraque, a comissão técnica da Noruega optou por deixar o elenco passear e conhecer Nova York durante os dias de folga.
Para Rae, essa decisão trouxe benefícios reais. "Andar por Nova York é cansativo, mas o cérebro controla o estresse, os hormônios e o sono. Se você está psicologicamente feliz, esse impulso emocional é tão importante quanto o puro descanso físico. Foi uma escolha calculada e necessária do técnico." O especialista também defendeu as pausas para hidratação que vêm ocorrendo na Copa do Mundo, mesmo quando a temperatura não exige isso de forma aparente. "Os jogadores estão perdendo líquidos, eletrólitos e açúcares, e a utilização de glicogênio está aumentando porque as temperaturas estão mais altas e os jogos estão ficando mais difíceis", argumentou Rae. Com Haaland e os demais titulares na mira, a Noruega aposta na recuperação física e no equilíbrio emocional para superar o Brasil e avançar na competição.