França lidera chances de título na Copa 2026, diz empresa

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Plataforma estatística de universidades brasileiras aponta a França com até 33,5% de chance de ser campeã do mundo
Com a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026, o sonho do hexacampeonato fica adiado para 2030. Ainda assim, a competição segue movimentando torcedores ao redor do mundo, e a pergunta que não quer calar é: quem vai levantar a taça? A plataforma "Previsão Esportiva", desenvolvida por estatísticos de cinco universidades brasileiras, entre elas a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), atualizou as probabilidades de título para a reta final do torneio.
Entre os oito países classificados para as quartas de final — Marrocos, França, Noruega, Inglaterra, Espanha, Bélgica, Argentina e Suíça — a França aparece como a grande favorita. Pelo modelo de força, que utiliza o ranking histórico FIFA Elo e simulações clássicas, a seleção francesa lidera com 33,5% de chance de conquistar o título mundial.
A "Previsão Esportiva" utiliza dois métodos distintos para calcular as probabilidades. Pelo modelo bayesiano, que combina dados objetivos e palpites de especialistas, as chances ficam distribuídas da seguinte forma:
- França — 29%
- Argentina — 26,6%
- Espanha — 12,7%
- Inglaterra — 11,9%
- Noruega — 10,9%
- Suíça — 6,5%
- Marrocos — 1,7%
- Bélgica — 0,7%
Já pelo modelo de força, baseado exclusivamente em indicadores objetivos como ranking FIFA, ranking Elo, desempenho recente, histórico em Copas e valor de mercado do elenco, as probabilidades são:
- França — 33,5%
- Espanha — 19%
- Argentina — 18,4%
- Inglaterra — 15,3%
- Noruega — 6%
- Marrocos — 3%
- Bélgica — 2,5%
- Suíça — 2,3%
Os dois modelos usam métodos estatísticos para estimar quantos gols cada equipe tem probabilidade de marcar em uma partida. A principal diferença entre eles está nas fontes de informação utilizadas. O modelo bayesiano combina indicadores objetivos, como a pontuação no ranking FIFA, com elementos subjetivos, como os palpites de especialistas sobre os placares.
Já o modelo de força calcula o potencial de cada seleção exclusivamente com base em dados objetivos, incluindo ranking FIFA, ranking Elo, desempenho recente, histórico em Copas do Mundo, condição de anfitriã e valor de mercado do elenco. Francisco Louzada, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos (SP), explicou que o projeto se consolidou na Copa de 2010, embora os pesquisadores já realizassem estudos desde 2006. Segundo ele, o que mais evoluiu foi a capacidade computacional e a riqueza dos dados disponíveis. "O que mudou drasticamente de lá para cá foi a potência da nossa estrutura. Se os dados são o combustível, hoje muito mais rico e detalhado, e os computadores são o motor, agora infinitamente mais veloz, a nossa modelagem estatística é o GPS que guia tudo isso", afirmou. Louzada comparou a evolução do projeto a uma mudança de ferramentas de navegação.
Em 2010, a equipe trabalhava com o equivalente a um mapa de papel — útil, mas estático. Hoje, operam com um GPS inteligente que recalcula a rota a cada jogo, aprendendo com os resultados de cada etapa. "Essa evolução é vital para a Copa de 2026, pois o novo formato de 48 seleções exigiu uma recalibração total da nossa rota. O que permanece inalterado é a nossa essência: unir o rigor acadêmico à paixão nacional pelo futebol", disse. De acordo com Louzada, os algoritmos são baseados em Inferência Bayesiana e Simulações de Monte Carlo. "O modelo não tenta "adivinhar" o placar, ele funciona estudando a força de ataque e defesa de cada time para calcular as chances. Além disso, temos a estrutura de simulação. Rodamos o torneio inteiro milhares de vezes no computador. Se o Brasil vence a Copa em 150 mil de 1 milhão de simulações, dizemos que ele tem 15% de chance de título", explicou.
O professor também destacou sua preferência pela metodologia bayesiana. "Ela permite combinar essas duas fontes de informação. É uma estrutura que "aprende" com o torneio: começamos com uma crença inicial e a atualizamos conforme os novos dados aparecem, lidando muito melhor com as incertezas de uma Copa do Mundo", disse.