Flávio Bolsonaro culpa Lula por risco de tarifas dos EUA

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Senador viaja a Washington para audiência do USTR e afirma que comportamento de Lula atrai tarifas americanas sobre o Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste domingo (5), em Washington, nos Estados Unidos, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o principal fator de risco para a possível imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita em vídeo, logo após o parlamentar desembarcar na capital norte-americana para participar de uma audiência pública sobre investigações comerciais abertas contra o Brasil.
"Na minha opinião, o comportamento de Lula é deliberado para atrair as tarifas. Ele é o principal fator de risco para o Brasil ser tarifado", disse Flávio Bolsonaro em vídeo.
O senador e pré-candidato à presidência da República chegou a Washington na manhã de domingo (5) e participará nesta terça-feira (7) de audiência pública conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que investiga práticas comerciais do Brasil. O resultado da audiência poderá embasar a decisão do governo americano sobre a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, prevista para ser anunciada até 15 de julho.
"Eu já estou aqui nos Estados Unidos para defender o Brasil e fazer a minha parte para evitar que os produtos brasileiros sejam tarifados. Enquanto o atual presidente do Brasil manda o dedo do meio para o povo brasileiro, eu vim até Washington para defender os brasileiros", afirmou o senador.
O cronograma divulgado indica que Flávio Bolsonaro está previsto para falar a partir das 10h (11h no horário de Brasília), no segundo e último dia da audiência. Assim como os demais participantes, ele terá cinco minutos de fala. O senador já sinalizou que defenderá a não implementação da sobretaxa e pedirá que os dois países busquem uma solução por meio do diálogo.
Flávio Bolsonaro também pretende "deixar claro" durante a audiência que, caso seja eleito presidente do Brasil, vai negociar com os Estados Unidos de "igual para igual, sem a necessidade de tarifas".
Painel reúne representantes do setor privado e da diplomacia
No mesmo painel de Flávio Bolsonaro estarão Roberto Azevêdo, diplomata e ex-diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), agora representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI); Letícia Sperb Masselli, da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados); Matt Priest, da Associação Americana de Distribuidores e Varejistas de Calçados (FDRA); e Peter Grueterich, do JPT Group LLC Bernardo Footwear.
O cronograma prevê dezenas de participantes, entre representantes de empresas, associações empresariais, escritórios de advocacia e especialistas em política comercial.
Antes do jogo do Brasil contra a Noruega, na Copa do Mundo, Flávio Bolsonaro realizou uma transmissão ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro em Washington e voltou a afirmar que Lula busca mais tarifas sobre produtos brasileiros para ganho político. "Vocês estão com mais medo do Haaland ou com mais medo de o Brasil ficar mais quatro anos nas mãos do PT?", brincou o senador durante a transmissão.
Em resposta às declarações de Flávio Bolsonaro, o Palácio do Planalto defende que haja uma reversão do tarifaço, independentemente de quem ganhe as eleições em outubro. O governo brasileiro ainda busca convergência com os Estados Unidos para impedir as tarifas sem precisar ceder em pontos cruciais.
Até o dia 15 de julho, o ministro Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), deve ter mais duas reuniões com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para tratar das investigações comerciais contra o Brasil. Na última quinta-feira (2), o ministro já havia se reunido com Greer e rechaçado qualquer possibilidade de negociações sobre o Pix, que vem sendo um dos principais alvos da investigação norte-americana.