Flávio Bolsonaro ainda busca vice a uma semana da convenção do PL

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
A menos de uma semana da convenção do PL, Flávio Bolsonaro ainda não definiu o nome do candidato a vice-presidente da chapa
A menos de uma semana da convenção nacional do PL, marcada para o próximo sábado (25/7), o senador Flávio Bolsonaro (RJ) ainda não definiu quem ocupará a vaga de vice-presidente em sua candidatura ao Palácio do Planalto.
O impasse persiste apesar dos esforços das últimas semanas para atrair partidos aliados e ampliar o palanque eleitoral. As negociações esbarraram na resistência de partidos do Centrão e em divisões internas, o que faz com que uma chapa "puro-sangue", composta apenas por nomes do próprio PL, não seja descartada.
A campanha de Flávio Bolsonaro tratou a candidatura à vice-presidência como uma das principais moedas de troca para atrair legendas à coligação, mas a estratégia não produziu os resultados esperados. A principal aposta era um acordo com a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
As negociações, no entanto, perderam força em meio às crises internas da campanha e ao desgaste na relação entre Flávio Bolsonaro e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Hoje, dirigentes das duas legendas consideram uma aliança "pouco provável".
Sem avanços nesse bloco, a campanha voltou suas atenções para Republicanos e Podemos.
Segundo dirigentes das duas siglas, a possibilidade de indicar o vice de Flávio Bolsonaro segue em discussão, mas o principal entrave é a divisão interna em ambos os partidos, que avaliam permanecer neutros na disputa presidencial de outubro.
Integrantes da campanha relatam que, nos momentos de maior turbulência, a escolha do vice ficou em segundo plano. A prioridade era fechar uma aliança partidária antes de definir o companheiro de chapa.
Com a proximidade do período das convenções, entre 20 de julho e 5 de agosto, e o enfraquecimento das negociações, cresceu a possibilidade de o PL optar por um nome da própria legenda.
Aliados de Flávio Bolsonaro dizem esperar que o impasse seja resolvido antes da convenção e que o partido pretende chegar ao evento do próximo sábado com a chapa completa. Há, porém, a possibilidade de o nome ser escolhido apenas depois, até 5 de agosto. Nesse caso, a convenção oficializaria apenas a candidatura de Flávio Bolsonaro e delegaria poderes à executiva nacional do PL para finalizar as tratativas.
A preferência de Flávio Bolsonaro é que a vaga seja ocupada por uma mulher, estratégia traçada para reduzir sua rejeição entre o eleitorado feminino. A favorita do senador é a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, atualmente filiada ao Republicanos.
A escolha, porém, depende do desfecho das negociações com o partido, que também envolvem acordos para palanques estaduais ainda considerados insuficientes pela direção da legenda, comandada pelo deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP).
A candidatura de Daniella Marques enfrenta resistência dentro da campanha, do PL e do próprio Republicanos. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tem dito a interlocutores que ela não reúne força política suficiente para ocupar a vaga.
Na avaliação dele, a chapa precisa de um vice capaz de ampliar alianças e agregar capital político à candidatura de Flávio Bolsonaro.
"Daniella [Marques] é uma excelente pessoa, mas precisa ter voto, né? Tem que trazer alguém que tenha voto", declarou o dirigente no início do mês.
Outro fator apontado por dirigentes é a filiação recente de Daniella Marques ao Republicanos. Ela ingressou na legenda em abril, o que, na avaliação de integrantes do partido, faz com que ainda não represente efetivamente a sigla nem tenha capacidade de mobilizar sua militância durante a campanha.
Valdemar Costa Neto defende a indicação da senadora Tereza Cristina (PP-MS), avaliando que a parlamentar agregaria votos e credibilidade à chapa. A composição, entretanto, também depende de um entendimento com a União Progressista, cuja cúpula considera remota uma aliança com o PL. Ainda assim, o presidente do partido deve voltar a se reunir com Tereza Cristina nos próximos dias.
Ao longo dos últimos meses, a campanha avaliou diferentes alternativas para a vice-presidência. Segundo aliados, nomes como os da própria Tereza Cristina e das deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE) não apresentaram desempenho relevante nas pesquisas qualitativas encomendadas pela equipe.
Mais recentemente, o deputado Eduardo Bolsonaro passou a defender a indicação da deputada Júlia Zanatta (PL-SC), cujo perfil mais ideológico encontra resistência entre lideranças do Centrão.
Nas semanas que antecederam o racha público e a saída de Michelle Bolsonaro do comando do PL Mulher, a cúpula da ala feminina do partido chegou a elaborar uma lista de nomes para disputar a vice na chapa de Flávio Bolsonaro. A ruptura, no entanto, interrompeu a articulação e fez com que a chamada "lista tríplice" deixasse de avançar.
Integrantes do entorno de Michelle avaliam que a campanha errou ao ventilar nomes de dirigentes e parlamentares do próprio partido antes de definir a composição da chapa, criando expectativa entre as correligionárias de que uma mulher seria escolhida para a vice-presidência.
Em transmissão ao vivo na noite de quinta-feira (16/7), Flávio Bolsonaro voltou a defender que sua vice seja uma mulher e citou Daniella Marques, Simone Marquetto e Clarissa Tércio como possibilidades.
"Eu já falei várias vezes: a minha preferência é que [a vice] seja uma mulher. Estão falando muito o nome da Dani. Então é importante vocês conhecerem, olhando para a frente. Tem uma outra que está atrás da câmera, que vocês não estão vendo, que é Simone Marchetto, que ajudou a gente também a construir esse programa 'Brasil por Elas'. O nome dela foi falado pra caramba", disse Flávio Bolsonaro.
A declaração foi feita durante o lançamento do programa Brasil por Elas, conjunto de propostas da campanha voltado ao eleitorado feminino e coordenado por Daniella Marques.
A ex-presidente da Caixa, Simone Marquetto e Fernanda Bolsonaro, mulher do senador, deverão percorrer o país para apresentar as propostas da iniciativa.