Mulher dá à luz em Fernando de Noronha apesar de proibição de partos

Fernando de Noronha - Foto: Cristiano Régis/Acervo pessoal
Mulher negou gravidez ao ser atendida com dores, mas exame confirmou gestação de 41 semanas; partos são proibidos na ilha
Uma mulher deu à luz neste domingo no Hospital São Lucas, em Fernando de Noronha (PE), após dar entrada na unidade com queixas de dores lombares e pélvicas. O caso chamou atenção por ocorrer em um local onde partos programados são expressamente proibidos, já que o arquipélago não dispõe de maternidade nem de UTI.
De acordo com nota técnica da Superintendência de Saúde de Fernando de Noronha, a paciente foi atendida com um quadro de dor lombar irradiando para a região pélvica. Durante a avaliação clínica inicial, ela negou a possibilidade de estar grávida.
Diante da suspeita levantada pela equipe médica, foi solicitado um exame de Beta HCG, que mede os hormônios da gravidez. O resultado confirmou uma gestação de 41 semanas.
Após a confirmação, a equipe constatou que a paciente já se encontrava em trabalho de parto avançado, o que tornou inviável qualquer tentativa de transferência para uma unidade hospitalar no continente em tempo hábil. O parto foi então realizado no próprio Hospital São Lucas.
Segundo a Superintendência de Saúde, tanto a mãe quanto o recém-nascido permanecem clinicamente estáveis. A paciente reside temporariamente em Fernando de Noronha, onde trabalha em uma pousada da ilha.
Como medida preventiva, o GTA (Grupamento Tático Aéreo) foi acionado e permanece de sobreaviso para uma eventual transferência da mãe e do bebê para uma unidade de referência no Recife, caso a equipe médica julgue necessário.
O recém-nascido também precisará passar por exames de rotina realizados no continente, como o teste do pezinho e o teste da orelhinha.
Fernando de Noronha conta apenas com o Hospital São Lucas, uma unidade de média complexidade, sem maternidade nem UTI. Por orientação do Ministério da Saúde, gestantes que residem ou se encontram na ilha são transferidas para o continente antes do término da gravidez, para que o parto ocorra em unidades com estrutura especializada.
O caso deste domingo evidencia os desafios enfrentados quando situações inesperadas fogem ao protocolo estabelecido para o arquipélago.