Fenabrave aponta alta de 137% no emplacamento de carros elétricos em MG

Foto: Reprodução
Dados da Fenabrave mostram avanço de marcas chinesas que ameaça o equilíbrio de preços do mercado automotivo mineiro
Os emplacamentos de veículos elétricos em Minas Gerais cresceram 137% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto o interesse dos brasileiros por marcas chinesas avançou 515% nos últimos cinco anos. Os dados são da Fenabrave e da Timelens/FutureBrand e revelam um movimento que ameaça romper o equilíbrio de preços que sustentava o mercado tradicional, reduzindo a percepção de valor de marcas com décadas de atuação no Estado.
A chegada das montadoras asiáticas ao mercado mineiro tem gerado pressão direta sobre os fabricantes tradicionais. Segundo a Fenabrave, o avanço das marcas chinesas não se limita ao volume de vendas, mas impacta também a estrutura de precificação do setor, colocando em xeque modelos de negócio consolidados ao longo de décadas. Além do mercado automotivo, Minas Gerais avança para se consolidar como polo de data centers no País, aproveitando o limite da capacidade energética de São Paulo.
Com projetos em andamento na Zona da Mata, em Uberlândia e na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Estado estuda a criação de um regime fiscal diferenciado, incluindo a redução do ICMS, para atrair investimentos. A localização estratégica e a disponibilidade de energia limpa reforçam a promessa de expansão do setor nos próximos cinco anos, enquanto o mercado aguarda definições regulatórias do Congresso.
No setor siderúrgico, a produção de aço bruto em Minas Gerais recuou 2,9% no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2025, somando 4,9 milhões de toneladas, conforme dados do Instituto Aço Brasil. Em junho, as siderúrgicas mineiras produziram 858 mil toneladas, com retração interanual de 3,5%. Apesar das quedas, o Estado se manteve como o maior produtor do País, respondendo por 30% da participação nacional no semestre. O conjunto de movimentos no mercado mineiro — da ascensão dos veículos elétricos e marcas chinesas à queda na produção siderúrgica e à expansão dos data centers — aponta para uma reconfiguração ampla da economia do Estado, com impactos que devem se intensificar nos próximos anos.