Governo adia novamente reunião que aumentaria percentual de etanol na gasolina

Foto: José Cruz/Agência Brasil
CNPE adia pela terceira vez reunião que definiria aumento do etanol na gasolina de 30% para 32%, sem nova data prevista
A reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), prevista para esta quarta-feira (8), em Brasília, foi adiada pela terceira vez consecutiva. O encontro tinha como pauta central a discussão sobre o aumento da mistura de etanol na gasolina, que atualmente é de 30% e poderia passar para 32%. O Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou um comunicado informando o adiamento, mas não apresentou justificativa para a decisão nem anunciou uma nova data para a realização da reunião. Com isso, a mudança na composição da gasolina segue suspensa, mantendo a incerteza no setor de combustíveis.
A definição é considerada estratégica porque afeta toda a cadeia produtiva, desde as usinas de etanol até a distribuição e a venda nos postos. Caso a proposta seja aprovada pelo CNPE, a gasolina passará a ser composta por 32% de etanol anidro e 68% de gasolina fóssil. O adiamento impacta diretamente o planejamento da produção, a logística de abastecimento e a necessidade de importação de gasolina.
Para o governo federal, a redução da participação do combustível fóssil traz uma série de benefícios: diminui a dependência da gasolina, reduz a necessidade de importações — especialmente em um cenário de instabilidade internacional e oscilações cambiais — e estimula a produção de biocombustíveis, fortalecendo a política de transição energética do país. Para o setor produtivo, o adiamento também posterga decisões sobre investimentos em infraestrutura e expansão da capacidade de produção de etanol. Já para os consumidores, os efeitos não são imediatos, mas a nova mistura poderá influenciar os preços da gasolina nos postos após a decisão definitiva do conselho.