Irã ameaça fechar Estreito de Ormuz após bombardeio dos EUA em ilha

Navios no Estreito de Ormuz
EUA bombardeiam ilha estratégica iraniana próxima ao Estreito de Hormuz e impõem bloqueio marítimo ao país em novo ciclo de ofensivas
Os Estados Unidos informaram que atacaram a ilha estratégica iraniana de Greater Tunb, localizada próxima à entrada do Estreito de Hormuz, em mais uma onda de ofensivas dentro do conflito que foi retomado na última semana.
A operação integra uma série de ataques americanos contra posições militares do Irã na região, que concentra uma das rotas energéticas mais sensíveis do mundo.
A ilha Greater Tunb, ao lado das ilhas Abu Musa e Lesser Tunb, fica posicionada estrategicamente na entrada do Estreito de Hormuz.
Embora de pequeno porte, sua importância é considerável em contextos de conflito, pois permite a instalação de radares e sistemas de mísseis, além do monitoramento de embarcações que entram e saem do Golfo Pérsico, segundo a Press TV, agência de notícias iraniana.
O controle dessas ilhas pode influenciar diretamente a segurança energética mundial.
O Irã controla as três ilhas desde 1971, quando enviou forças militares para ocupá-las após a retirada britânica da região.
Os Emirados Árabes Unidos, no entanto, afirmam que elas pertencem historicamente aos emirados de Sharjah e Ras al-Khaimah.
Detalhes da operação
Segundo o Comando Central dos EUA, locais de armazenamento e lançamento de mísseis foram atingidos na ilha.
Munições de precisão também miraram sistemas de defesa costeira do Irã.
Os bombardeios duraram 90 minutos, tendo início às 6h e término às 7h30, no horário leste dos Estados Unidos.
Em publicação no X, o Comando Central declarou: "O Comando Central concluiu uma série de ataques matinais contra o Irã, que reduziram ainda mais a capacidade deles de atacar embarcações comerciais no Estreito de Hormuz".
No dia anterior, várias explosões já haviam sido ouvidas na ilha iraniana de Qeshm, localizada a cerca de 22 quilômetros ao sul da cidade portuária de Bandar Abbas.
O território domina o Estreito de Clarence — também conhecido como Canal de Kuran —, uma importante passagem que conecta a ilha ao continente.
Ameaças ao Estreito de Hormuz e bloqueio marítimo
A Guarda Revolucionária iraniana voltou a afirmar que o Estreito de Hormuz permanecerá fechado enquanto continuarem as operações militares americanas.
Cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo passa diariamente pela estreita passagem marítima que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, tornando a região um dos pontos mais sensíveis da economia global.
O órgão também ameaçou fechar todos os outros corredores de exportação que beneficiem os EUA e seus aliados.
Analistas afirmaram à Reuters que o Irã vem sinalizando que pode usar seus aliados houthis no Iêmen para fechar a passagem de Bab el-Mandeb para o Mar Vermelho, abrindo uma nova frente contra Washington e colocando em risco duas das principais rotas de abastecimento energético do mundo.
A gestão de Trump também impôs um bloqueio marítimo ao Irã no final do dia anterior.
A restrição é válida para embarcações em trânsito com origem e destino a portos e áreas costeiras iranianas, independentemente da bandeira, abrangendo todos os portos, terminais petrolíferos e áreas costeiras do país.
O Comando Central informou que há atualmente mais de 20 navios de guerra da Marinha dos EUA e centenas de aeronaves militares operando em todo o Oriente Médio.
Vários petroleiros foram atacados na passagem em ações que deixaram pelo menos dois mortos e vários feridos desde a noite de segunda-feira.
A ONU expressou preocupação com as "graves consequências socioeconômicas e humanitárias" do bloqueio da "rota de passagem essencial da qual dependem milhões de pessoas".