PR: cliente usa IA para colocar barata em hambúrguer e pedir reembolso

Empresário afirma que cliente usou IA para criar barata em hambúrguer - Foto: Reprodução/Instagram
Cliente usou inteligência artificial para inserir imagem de barata em hambúrguer e tentar obter reembolso em São José dos Pinhais
Um cliente utilizou inteligência artificial para inserir a imagem de uma barata em um hambúrguer, com o objetivo de obter reembolso de um pedido feito em uma hamburgueria de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná. O caso chamou a atenção das autoridades policiais, que indicam que a conduta pode configurar o crime de estelionato.
O pedido foi realizado às 19h28 por meio de um aplicativo de delivery e entregue ao consumidor cerca de meia hora depois, às 19h57. Pouco mais de uma hora após o recebimento, às 21h04, o cliente enviou uma mensagem ao estabelecimento alegando que o lacre da embalagem estava aberto e que havia encontrado um inseto no alimento, exigindo a devolução do dinheiro.
"Veio uma barata no meu hambúrguer e chegou aberta a embalagem. Perdi meu dinheiro e fiquei sem lanche, deu nojo de comer tudo 😡😡😡", dizia a mensagem enviada ao estabelecimento.
A suspeita de fraude surgiu quando a gerência e os funcionários do local analisaram detalhadamente a fotografia enviada pelo consumidor. De acordo com o proprietário da hamburgueria, Alisson Zen, vários elementos indicavam manipulação digital: a suposta barata aparecia totalmente limpa, a maionese estava em uma cor diferente da utilizada pelo estabelecimento e estava posicionada na tampa do pão, contrariando o padrão de montagem que coloca o molho na parte inferior do hambúrguer.
Para averiguar a situação, a hamburgueria enviou um motoboy para recolher o sanduíche com o suposto inseto, mas o cliente não atendeu o entregador.
Segundo o delegado Emmanoel David, o uso de inteligência artificial para a aplicação de golpes tem se tornado uma prática frequente. O policial adverte que, além do crime de estelionato, tentado ou consumado, o autor da fraude pode responder por falsa comunicação de crime caso impute formalmente uma prática criminosa ao restaurante.
A orientação policial para os comerciantes diante de suspeitas semelhantes é atentar-se aos detalhes de produção e reunir provas, como fotos ou vídeos do processo de montagem e embalagem dos alimentos, demonstrando que as condições do produto inviabilizavam o incidente alegado pelo consumidor.
O caso reforça o alerta sobre o uso crescente de ferramentas digitais para tentativas de fraude contra estabelecimentos comerciais, e evidencia a importância de comerciantes manterem registros detalhados de seus processos de produção como forma de se proteger.