Espanha busca título inédito sem sofrer gols

Foto: Fifa/Reprodução
Com nove gols marcados e nenhum sofrido, a Espanha persegue um feito que nenhuma seleção conseguiu em 95 anos de Copa do Mundo
A Espanha está a três jogos de conquistar um feito inédito na história da Copa do Mundo. Com quatro vitórias e um empate, a seleção comandada por Luis de la Fuente acumula nove gols marcados e nenhum sofrido. Desde a criação do Mundial, em 1930, nenhuma equipe levantou a taça sem ser vazada ao longo de toda a campanha — e a Fúria agora persegue esse recorde histórico. Ao vencer Portugal por 1 x 0 na última segunda-feira (6/7), a Espanha deu mais um passo para quebrar uma escrita de quase um século. Os espanhóis já conhecem o sabor de uma campanha defensiva sólida no mata-mata. No título de 2010, na África do Sul, a seleção passou ilesa por toda a fase eliminatória, superando Portugal, Paraguai, Alemanha e Holanda sem ser vazada.
O ponto fraco daquela campanha foi a fase de grupos, quando sofreu dois gols — um contra a Suíça e outro diante do Chile. Caso mantenha a meta intacta até a decisão, a Espanha não apenas conquistará um feito inédito, como também estabelecerá a melhor campanha defensiva de um campeão mundial. O recorde atual pertence à França (1998), à Itália (2006) e à própria Espanha campeã de 2010, todas vazadas apenas duas vezes ao longo do torneio. Vale lembrar que a Suíça terminou a Copa de 2006 sem sofrer gols, mas os europeus foram eliminados nas oitavas de final pela Ucrânia nos pênaltis, após quatro empates, sem marcar um único gol no mata-mata.
A solidez defensiva da Espanha não começa pelos zagueiros — começa no meio-campo. Dona da maior média de posse de bola da Copa entre os classificados às oitavas de final, com 65,4%, a seleção transformou o controle do jogo em um mecanismo de proteção. Quem dita o ritmo, ocupa o campo adversário e troca passes durante a maior parte do tempo também reduz drasticamente o número de ataques sofridos. O contraste com as demais seleções ajuda a dimensionar o domínio espanhol. Enquanto a equipe de Luis de la Fuente sustenta média de 65,4% de posse, o Brasil encerrou sua campanha com 53% e a França, também classificada às quartas de final, registra 60,6%.
Além de perseguir um título sem sofrer gols, a Espanha igualou uma das marcas mais emblemáticas do futebol nacional. A vitória sobre Portugal levou a Fúria a 35 partidas consecutivas sem derrota, repetindo a maior invencibilidade da história da seleção, registrada entre 2007 e 2009. Caso avance às semifinais, a Espanha estabelecerá um novo recorde próprio e seguirá na perseguição à marca mundial da Itália, detentora de uma série de 37 jogos de invencibilidade. Se a defesa impressiona, o ataque também chama atenção pela variedade de soluções.
Os nove gols da Espanha na Copa foram distribuídos entre cinco jogadores diferentes, além de um gol contra. Mikel Oyarzabal é o principal artilheiro da equipe, com quatro tentos. Lamine Yamal, Pedro Porro, Álex Baena e Mikel Merino também assinaram vitórias. A diversidade de protagonistas reforça a principal característica da equipe de Luis de la Fuente: o coletivo prevalece sobre a dependência de um único craque. É a primeira vez que a Espanha avança além das oitavas de final da Copa do Mundo desde o título em 2010. Na próxima fase, a Fúria terá pela frente a Bélgica, na sexta-feira (10/7), às 16h, em Los Angeles. Há ainda a possibilidade de uma semifinal contra a França, caso os franceses superem Marrocos.