El Niño deve ser forte até setembro, diz OMM

Foto: Reprodução
OMM alerta que o El Niño se intensificará rapidamente, elevando o risco de secas, chuvas extremas e recordes de temperatura global
A agência meteorológica da ONU informou, nesta sexta-feira (3/7), que o El Niño deve se intensificar até setembro e atingir um nível forte. O alerta foi emitido pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que projeta impactos climáticos significativos em diversas regiões do planeta até 2027. "Já se observam condições características de um episódio de El Niño e a previsão é de uma intensificação rápida até se tornar um episódio forte", afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
Ela acrescentou que o fenômeno "aumentará a probabilidade de secas e chuvas intensas, assim como o risco de ondas de calor terrestres e marinhas em muitas regiões do mundo". O cientista da OMM Álvaro Silva reforçou a gravidade do cenário: "O El Niño também dará um impulso extra às temperaturas globais. Sabemos que, durante os anos de El Niño, as temperaturas globais normalmente atingem níveis recordes".
Segundo ele, os efeitos do fenômeno serão sentidos em diferentes regiões até o final do ano e se estenderão até 2027. O El Niño consiste no aquecimento acima da média das águas do Pacífico que se deslocam em direção à América do Sul, combinado ao enfraquecimento dos ventos alísios e ao deslocamento de ar quente e úmido nas zonas equatoriais. A redução dos ventos contribui para que a água quente retorne ao centro do oceano.
O fenômeno costuma durar entre 9 e 12 meses, geralmente iniciando-se no fim do inverno do hemisfério sul, atingindo o pico entre novembro e janeiro e começando a dissipar-se a partir do primeiro mês do ano. O boletim da OMM indica que já existem condições de El Niño no Pacífico tropical e que o fenômeno evoluirá rapidamente para um episódio forte entre julho e setembro, alcançando o nível três em uma escala que vai até quatro. A atualização complementa o anúncio publicado em 2 de junho pela OMM, que já alertava para a iminência do episódio.
Poucos dias após o comunicado da OMM, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) dos Estados Unidos confirmou que o fenômeno estava em curso. Na ocasião, estimou-se em 63% a probabilidade de um El Niño muito forte entre novembro e janeiro, com possibilidade de figurar entre os registros históricos do fenômeno desde 1950.
De acordo com a OMM, os principais centros meteorológicos do mundo apontam para um aumento constante e significativo das temperaturas oceânicas no centro e leste do Pacífico equatorial. "Esperamos que as anomalias médias sazonais da temperatura da superfície do mar ultrapassem 2°C em regiões cruciais de monitoramento", afirmou a agência. A convergência dos modelos de previsão eleva o nível de confiança nas projeções. O El Niño deve continuar ganhando força entre setembro e novembro.
A probabilidade de que as temperaturas superem a média na maioria das regiões continentais e em quase todas as áreas habitadas fora das regiões polares é considerada extremamente elevada. Também estão previstas precipitações acima do normal no centro e leste do Pacífico equatorial e abaixo do normal em partes do oceano Índico tropical, do subcontinente indiano e de grande parte da Austrália. No continente americano, o Caribe, o noroeste da América do Sul e algumas regiões da América Central devem registrar chuvas abaixo da média, enquanto o sudoeste dos Estados Unidos tende a apresentar condições mais úmidas que o habitual. Para a Europa, a projeção aponta um contraste norte-sul, com mais precipitações no sul e menos no norte, embora as previsões para o continente europeu sejam consideradas menos confiáveis do que para outras regiões do mundo.