Eduardo Bolsonaro desiste de vaga de suplente no Senado por risco de impugnação

Eduardo Bolsonaro abandona chapa ao Senado por SP por risco de impugnação após condenação no STF por coação
Eduardo Bolsonaro confirmou que desistiu de ser suplente na chapa ao Senado por São Paulo, encabeçada pelo deputado estadual André do Prado (PL-SP). A decisão foi motivada pelo alto risco de impugnação pela Justiça Eleitoral, uma vez que Eduardo Bolsonaro poderia ser enquadrado como ficha suja após condenação recente pelo STF por coação no curso do processo. A condenação está relacionada ao comando de uma campanha por punições a autoridades brasileiras junto ao governo Trump, numa articulação que tentava forçar uma anistia ao seu pai, Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos há mais de um ano e era o nome por trás da candidatura de André do Prado. As informações são do UOL.
Eduardo Bolsonaro classificou a desistência como um gesto de desprendimento em relação a "cargos" e "interesses pessoais". Seus aliados acreditavam que, caso Flávio Bolsonaro se elegesse à presidência e André do Prado ingressasse no Senado, haveria grandes chances de Eduardo Bolsonaro retornar ao Brasil e assumir a cadeira de suplente. A direita bolsonarista não esconde que um de seus principais objetivos é eleger maioria no Senado para viabilizar o impeachment de ministros do STF, como Alexandre de Moraes. "Após ouvir advogados em quem confio e refletir profundamente sobre o atual cenário brasileiro, decidi não seguir adiante com o registro da chapa encabeçada pelo Deputado estadual e candidato a Senador André do Prado, na qual eu ocuparia a posição de primeiro suplente", afirmou Eduardo Bolsonaro.
"Essa decisão foi tomada para preservar um projeto maior. Diante da grave insegurança jurídica que vivemos e da evidente perseguição política contra mim e minha família, fui fortemente aconselhado a não criar qualquer circunstância que pudesse colocar em risco uma candidatura ao Senado que considero estratégica para o futuro do Brasil", completou. Eduardo Bolsonaro negou que a decisão tenha sido influenciada pela pesquisa eleitoral da Quaest divulgada no mesmo dia, que mostrava André do Prado apenas em 5º lugar na preferência dos eleitores paulistas, com 5% das intenções de voto. "Nem tinha visto", afirmou o ex-deputado. No mesmo dia, Eduardo Bolsonaro esteve em Washington, onde participou de um encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que visitava Trump.
O encontro ocorreu na Blair House, mansão em frente à Casa Branca utilizada pelo governo americano para hospedar chefes de Estado. "Foi um encontro de líderes evangélicos com Netanyahu e sua esposa, Sarah. Oraram por ele e deram uma perspectiva de como a direita conservadora está se comportando diante da guerra", disse Eduardo Bolsonaro sobre o encontro. Segundo ele, Netanyahu quis saber sobre a saúde de Jair Bolsonaro e demonstrou satisfação com o agradecimento pelo vídeo de endosso que o premier israelense enviou à convenção do PL, que lançou Flávio Bolsonaro como presidenciável no último fim de semana.