Ministro da Fazenda descarta retaliação imediata e defende reciprocidade aos EUA

O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministro da Fazenda descarta retaliação e aponta que a Lei da Reciprocidade será usada com cautela diante das tarifas de 25% impostas pelos EUA
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que não é o momento de falar em retaliação do Brasil aos Estados Unidos, após a imposição de tarifas de 25% pela Casa Branca sobre produtos brasileiros.
"Não cabe falar em retaliação, é uma palavra que está fora do nosso escopo, fora do nosso trabalho", declarou o ministro a jornalistas.
Segundo Durigan, o governo brasileiro trabalha neste momento com medidas de reciprocidade como alternativa às tarifas impostas pelos EUA. "A reciprocidade tem sido avaliada para ser usada na medida e no tempo corretos", afirmou o ministro, destacando que a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso, oferece um procedimento próprio para ser utilizado em casos de ataques unilaterais de outros países.
Durigan explicou que a equipe econômica está levantando quais mudanças ocorreram nas listas de exceções e como isso altera a demanda de empresas e cadeias produtivas brasileiras.
O ministro também alertou que não se pode usar o "momento eleitoral" para fazer ataques políticos e contra a economia.
"Meu papel é garantir que a economia siga estável", disse ele. "Seja discutindo com empresários, seja avaliando com cautela qual o processo de reciprocidade que o Congresso nos ofereceu", completou.
Para Durigan, a interferência dos EUA já vista em outros países da região é motivo de preocupação.
"Esse tipo de medida e o apoio da família Bolsonaro às medidas dos Estados Unidos afrontam o patriotismo mais básico dos brasileiros", declarou o ministro.
"O Brasil não pode se acovardar", ressaltou, acrescentando que o país tem bons argumentos e razões técnicas nas discussões comerciais. "Temos de seguir fazendo um bom debate, mostrando que isso é prejudicial para o Brasil e para os Estados Unidos."
Durigan relatou mais de 70 participações no Escritório de Comércio dos EUA na tentativa de reverter o tarifaço.
O ministro avaliou que os argumentos do governo brasileiro e dos empresários foram desconsiderados, mas destacou que a consolidação da economia brasileira nos últimos meses coloca o governo em condição de proteger a população de choques externos.
Segundo Durigan, qualquer resposta será construída "com muita cautela". As novas tarifas são recebidas com "indignação" pela equipe econômica.
"O objetivo é preservar a trajetória fiscal e manter o cumprimento das metas, assegurando um bom resultado macroeconômico para o país, ainda que alguns setores específicos necessitem de atenção", concluiu o ministro.