Djavan celebra 50 anos de carreira com show em BH

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A turnê "Djavanear" chega à Arena MRV em julho com clássicos que atravessam gerações e um palco construído nos mínimos detalhes
"Pai e mãe, ouro de mina…". É com esse verso que Djavan abre cada apresentação da turnê "Djavanear". A frase que inicia "Sina", lançada em 1982 no álbum "Luz", tornou-se o portal de entrada para uma celebração de cinco décadas de carreira. Mais de 40 anos após sua composição, a canção ainda é cantada em uníssono por plateias que reúnem fãs dos primeiros discos e jovens que nem haviam nascido quando ela foi lançada. Essa capacidade de atravessar gerações é o que define a turnê que chega à Arena MRV, em Belo Horizonte, no dia 18 de julho. O espetáculo celebra os 50 anos de uma das obras mais singulares da música brasileira e já passou por São Paulo, Salvador, Fortaleza, Curitiba e Brasília antes de chegar à capital mineira.
Para Djavan, o significado da turnê vai além dos palcos. "É a ratificação de uma dedicação total. Desde o início até hoje sempre trabalhei. Significa exatamente isso: o fato de eu ter realmente dedicado a minha vida inteira à música", afirma o cantor. **Canções que resistem ao tempo** Nascido em Maceió, Alagoas, Djavan reflete sobre a longevidade de suas composições com a clareza de quem nunca escreveu pensando em fórmulas. "A gente não compõe hits. A gente compõe músicas. Às vezes essas músicas se transformam em hits, às vezes em hits eternos. Essa turnê demonstra isso. Músicas feitas há mais de 40 anos continuam vivíssimas na memória do público. Eles as cantam com o mesmo amor, com o mesmo empenho", explica.
As canções deixaram de pertencer apenas aos discos em que nasceram para ocupar um lugar na vida de quem as escuta. Cada plateia reúne histórias diferentes, mas compartilha um mesmo repertório. Djavan observa essa transformação diante dos próprios olhos e atribui a ela a diversidade de sua obra. "Essa renovação está muito ligada à diversidade da minha música. Ela alcança um público diverso, de faixa etária, classe social, raça e religião. É um repertório onde você encontra de tudo. Naturalmente, isso traz um público bastante heterogêneo", ressalta. A escolha das músicas foi, segundo o artista, a etapa mais difícil da montagem do espetáculo. Com dezenas de clássicos reconhecidos pelo público, cada decisão significava deixar alguma canção de fora.
O objetivo foi construir uma apresentação capaz de manter a plateia conectada do primeiro ao último acorde. "A gente fez um repertório que mantém o público ligado o tempo inteiro. O cenário é muito bonito, o palco é incrível, mas a parte mais importante é exatamente o repertório. É ele que mantém essa conexão entre palco e plateia", diz. O resultado é uma playlist cantada a plenos pulmões pelos fãs, reunindo clássicos de diferentes fases da carreira, como "Sina", "Eu Te Devoro", "Oceano", "Meu Bem Querer", "Flor de Lis", "Lilás" e "Linha do Equador", entre muitos outros sucessos.
Nada do que acontece no palco escapa ao olhar de Djavan. O cantor acompanha cada detalhe da produção, das projeções ao figurino, da cenografia ao desenho do palco, como faz desde o início da carreira. "Tudo o que você vê ali tem meu dedo, meu sim ou meu não. Eu não consigo ficar à revelia de nada. Estou sempre envolvido na criação do repertório, do cenário, da roupa, da montagem do palco. Tenho profissionais extraordinários ao meu lado, mas faço questão de acompanhar tudo". Aos 77 anos, Djavan vive um momento especial de sua trajetória, ocupando arenas e grandes espaços com uma frequência que reflete o crescimento contínuo de sua base de fãs. "O mais importante é que a conexão com o público sempre se manteve. Esse público cresce e se renova a cada dia. Tanto que estou fazendo shows agora em estádios. O público chega com aquela vontade de participar, de reviver momentos importantes da vida que tiveram minhas músicas como pano de fundo. É uma consagração mútua".