Presidente de Cuba acusa EUA de "política genocida" contra o país

Presidente cubano Miguel Díaz-Canel - Foto: Wikimedia Commons
O presidente cubano denunciou a "política genocida" de Washington e acusou os EUA de tentarem "se apropriar do país"
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel denunciou, neste domingo (26), a "política genocida" de Washington contra Cuba, acusando os Estados Unidos de quererem "se apropriar do país". A declaração foi feita durante as comemorações do 73º aniversário do ataque ao quartel Moncada, na província de Pinar del Río, no oeste da ilha.
Desde janeiro, o governo de Donald Trump intensificou a pressão sobre a ilha comunista, localizada a 150 quilômetros da costa da Flórida. Ao embargo vigente desde 1962, somaram-se um bloqueio petrolífero e uma extensa lista de sanções contra empresas e dirigentes cubanos.
"Cuba trava hoje uma batalha histórica" contra "uma política genocida cujo objetivo é asfixiar todo um povo para se apropriar do país", afirmou Díaz-Canel durante o evento.
O presidente também acusou Washington de buscar provocar, em Cuba e em outros países, uma "explosão social com o único objetivo de impor governos alinhados aos seus interesses imperiais".
As medidas impostas pelos Estados Unidos provocaram uma queda drástica no turismo, a saída de diversas empresas estrangeiras e a redução das entradas de divisas. As sanções mais recentes, anunciadas na quinta-feira, atingem o programa de missões médicas cubanas no exterior, uma das principais fontes de receita do país.
Díaz-Canel participava da celebração do ataque ao quartel Moncada, liderado por Fidel Castro em 1953, no leste da ilha, episódio considerado o marco inicial da luta revolucionária cubana.
"O bloqueio é uma arma de guerra e provoca mortes", acusou o presidente durante o discurso.
A crise energética na ilha de 9,4 milhões de habitantes causa apagões de até 30 horas na capital e de vários dias consecutivos em outras regiões. A situação compromete os serviços públicos e alimenta o descontentamento social.
O país também registrou três blecautes gerais em julho. Manifestações ocorrem regularmente em Havana, sobretudo à noite. Moradores batem panelas e queimam pilhas de lixo para protestar contra os constantes cortes de energia, de água e contra a falta de alimentos.
Diante do cenário de crise, Díaz-Canel pediu "unidade" e a "implementação das transformações econômicas e sociais", anunciadas em meados de junho como um programa de 176 medidas que prevê uma guinada importante rumo a uma economia de mercado.
Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump afirma que Cuba representa "uma ameaça extraordinária" à segurança nacional dos Estados Unidos e já ameaçou várias vezes "assumir o controle" da ilha.