Mendonça autoriza investigação da PF sobre repasses de Vorcaro para Dark Horse

Divulgação do filme 'Dark Horse', cinebiografia de Jair Bolsonaro - Imagem: Divulgação
Ministro André Mendonça autorizou investigação sobre repasses de Daniel Vorcaro ao filme sobre Jair Bolsonaro
A Polícia Federal (PF) vai investigar o financiamento do filme "Dark Horse", produção sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A obra recebeu recursos do Banco Master, de Daniel Vorcaro, mas o valor exato ainda é desconhecido. A suspeita é de que parte do dinheiro liberado pelo banqueiro teve outra destinação, diferente da produção cinematográfica. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura do inquérito pela PF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) deu parecer favorável à investigação, entendendo haver elementos mínimos necessários para apuração.
O caso tramita na Corte com sigilo nível 3, utilizado para resguardar diligências, garantir a eficácia de decisões judiciais e proteger dados sensíveis durante o processo. Uma das suspeitas centrais é que o dinheiro de Vorcaro destinado ao filme teria servido também para a manutenção do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos. Eduardo abandonou o mandato e deixou o Brasil em 2025 com a família, anunciando uma luta contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Além disso, investiga-se se os recursos solicitados para "Dark Horse" financiaram outras iniciativas de aliados do ex-presidente junto ao governo norte-americano de Donald Trump.
O pedido de investigação partiu do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que enviou ao STF um documento defendendo a apuração de eventuais irregularidades no financiamento do filme. Lindbergh cita a conexão entre os valores solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, para a produção, e a atuação do irmão Eduardo nos Estados Unidos. Relator da notícia-crime, Mendonça encaminhou o pedido de manifestação à PGR em 30 de junho. Em um primeiro momento, Flávio negou qualquer relação com Vorcaro. Após reportagem do "Intercept Brasil" revelar áudio dele pedindo dinheiro ao banqueiro para financiar o filme, o senador admitiu o contato, mas disse se tratar de um pedido à iniciativa privada.
Uma das conversas divulgadas pelo "Intercept Brasil" ocorreu em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master. Em outro áudio, que seria de 8 de setembro de 2025, Flávio disse a Vorcaro que havia preocupação com atraso nos pagamentos da produção de "Dark Horse". O senador chegou a visitar Vorcaro na casa do banqueiro, que na ocasião estava impedido de sair de casa e usava tornozeleira eletrônica. Depois, Vorcaro foi preso novamente e hoje se encontra na penitenciária da Papudinha, sendo considerado pivô da maior fraude financeira da história do Brasil. Os valores envolvidos divergem conforme as fontes.
Segundo o "The Intercept Brasil", Flávio inicialmente negociou US$ 24 milhões — o equivalente a R$ 134 milhões na cotação da época — com o banqueiro. Já o portal "Metrópoles" revelou, em junho, que o filme custou 56% do valor pedido pelo senador. Conforme informações já tornadas públicas sobre os repasses determinados por Vorcaro, os dados indicam que os recursos do dono do Master bancaram mais de 80% dos custos do filme. Em 19 de maio, Flávio disse à imprensa que pediria para a produtora divulgar a prestação de contas dentro de 30 dias, provando não haver irregularidades no financiamento. Contudo, dois meses já se passaram sem qualquer nova informação pública. Desde que o prazo anunciado pelo senador foi completado, sua assessoria afirma que o assunto está com a produtora Go Up, enquanto a empresa diz que as informações já foram prestadas à Justiça. O processo sobre o filme, no entanto, permanece sob sigilo.