Copa do Mundo 2026 bate recordes e gera receita de R$ 76,6 bilhões

Foto: Fifa/Reprodução
Copa do Mundo 2026 registrou 99,7% de lotação, receita de R$ 76,6 bi para a Fifa e mais de 700 drones abatidos durante o torneio
A Copa do Mundo de 2026 foi encerrada com índices históricos de público e segurança. Com 99,7% de lotação nos estádios e sem registros de incidentes graves, o evento foi classificado pelo diretor da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa, Andrew Giuliani, como o "mais visto, mais seguro e mais bem-sucedido do mundo". "Mais de 6,5 milhões de pessoas foram aos jogos desta edição, mais do que nas duas Copas anteriores combinadas, e provavelmente vamos superar o recorde de audiência de 1994, quando os EUA também sediaram o evento", afirmou Giuliani durante um balanço realizado em Nova York na antevéspera da grande final. Um dia após a decisão, Kash Patel, diretor do FBI, utilizou as redes sociais para celebrar os resultados: "temos orgulho de informar que, graças a Deus e aos homens e mulheres do FBI e aos nossos parceiros, não registramos ataques criminosos significativos durante esta Copa do Mundo".
O resultado foi fruto do trabalho de cerca de 5 mil agentes de segurança espalhados por todo o país. A final, que consagrou a Espanha campeã diante da Argentina, reuniu 80.633 pessoas nas arquibancadas e foi acompanhada por mais de 1,5 bilhão de pessoas ao redor do mundo. Nas fan fests organizadas pela Fifa em diferentes países, quase 8 milhões de torcedores se reuniram ao longo dos 40 dias do torneio.
A Copa do Mundo de 2026 entrou para a história por múltiplos motivos: foi a primeira edição com 48 seleções participantes e a primeira com três países anfitriões — México, EUA e Canadá. Além disso, tornou-se o evento que gerou a maior renda da história da Fifa. Com o uso de precificação dinâmica pela primeira vez, os ingressos chegaram a custar muito mais do que em edições anteriores, garantindo à entidade uma receita de US$ 15 bilhões (R$ 76,6 bilhões).
Minutos antes do início da Copa, o presidente dos EUA, Donald Trump, já antecipava o impacto econômico ao afirmar que o evento mobilizaria "trilhões de dólares" em solo americano. Giuliani detalhou os efeitos nas cidades-sede: "As cidades-sede receberam milhões de visitantes, revitalizaram seus setores hoteleiros, melhoraram os transportes e renovaram investimentos em polos comerciais locais. Dallas (no Texas) projeta mais de US$ 2 bilhões em atividade econômica apenas durante o torneio, enquanto empresas de Seattle (no estado de Washington) relataram vendas até 10 vezes superiores às de um dia típico". Apesar das polêmicas envolvendo o tratamento a imigrantes e as restrições para a entrada de visitantes no país — com dezenas de nações impedidas de obter vistos —, o governo Trump destacou que em mais de 80% dos países do mundo, quem tentou vir à Copa conseguiu agendar entrevista de visto em menos de 60 dias. Com mais da metade da população americana admitindo não ter assistido a nenhum jogo, segundo pesquisa da CNBC divulgada na véspera da final, foram os estrangeiros e imigrantes os principais responsáveis pelo sucesso de público celebrado pela gestão Trump.
Como principal anfitrião, os EUA receberam 78 partidas, incluindo a final. O país, marcado por ataques terroristas em megaeventos — como na Olimpíada de Atlanta —, temia especialmente incidentes com drones, dispositivos que se tornaram mais baratos e potencialmente letais, como demonstrado nos conflitos da Ucrânia e do Irã. Um perímetro de segurança foi estabelecido, proibindo o voo de drones em um raio de até mil metros de cada estádio norte-americano. Ao longo do torneio, ao menos 1,6 mil dispositivos violaram as regras, e mais de 700 foram abatidos pelas forças de segurança. Em nenhum dos casos, porém, houve risco real às pessoas presentes nos estádios. Grande parte do aparato de segurança montado para a Copa do Mundo de 2026 é de caráter permanente e servirá de legado para as cidades-sede. O mesmo sistema será ativado novamente em dois anos, quando os EUA receberão as Olimpíadas de 2028, em Los Angeles, no último ano do segundo mandato de Trump.